Tarifaço dos EUA: 3.985 produtos brasileiros terão alíquota de 37,5% a partir desta sexta
Apenas 0,88% das empresas brasileiras vendem para o exterior - Foto: Diego Baravelli/Ministério da Infraestrutura - Foto: Wordpress Comunhao/Diego Baravelli/Ministério da Infraestrutura
Levantamento da CNI revela que nova sobretaxa de 12,5% incidirá sobre US$ 12,4 bilhões em exportações, equivalentes a 29,4% do total vendido pelo Brasil aos americanos; entidade pede diálogo urgente entre os governos.
O novo acréscimo tarifário de 12,5% implantado pelo governo norte-americano eleva para 37,5% a carga tributária total incidente sobre 3.985 itens da pauta exportadora brasileira. Os dados foram consolidados em estudo divulgado nesta quinta-feira (23) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Segundo a instituição, o impacto financeiro da medida atinge a cifra de US$ 12,4 bilhões, montante que corresponde a 29,4% de tudo o que o Brasil vende anualmente para os Estados Unidos. As cobranças extras começam a valer oficialmente nesta sexta-feira (24).
O diagnóstico da CNI esmiúça o efeito da nova alíquota sobre os embarques nacionais:
· 4.060 linhas de produtos brasileiros sofrerão diretamente a incidência da sobretaxa adicional;
· Desse contingente, 3.985 já estavam sob o efeito da tarifa suplementar de 25% — com a novidade, a soma chega a 37,5%;
· Esse conjunto representa 80,7% das exportações afetadas, o que equivale a US$ 10,8 bilhões;
· Os 75 itens restantes, que movimentam US$ 1,6 bilhão, serão tributados exclusivamente pelos 12,5% extras, sem o acréscimo anterior.
Ao todo, a CNI projeta que 48,7% de todas as vendas externas brasileiras com destino aos EUA passarão a carregar algum tipo de tarifa adicional imposta pela potência americana.
A nova barreira comercial é desdobramento de uma apuração conduzida pelos EUA com fundamento na Seção 301 da sua Lei de Comércio. O veredito apontou que o Brasil, assim como outras nações, não adotaria mecanismos considerados suficientes para barrar a entrada de mercadorias produzidas com mão de obra análoga à escravidão.
Contraponto brasileiro
A CNI, contudo, rejeita as alegações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A entidade argumenta que o país ostenta uma das legislações mais avançadas do mundo na prevenção, no combate e na erradicação do trabalho forçado em todas as etapas das cadeias produtivas. O sistema jurídico nacional, conforme a confederação, dispõe de instrumentos de fiscalização e responsabilização reconhecidos internacionalmente.
Diálogo e saídas
Em nota oficial, o presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu o endurecimento das tratativas entre os governos brasileiro e estadunidense como forma de conter os prejuízos ao setor fabril. “É fundamental que o canal de comunicação entre Brasil e EUA seja preservado e ampliado. Precisamos, ao mesmo tempo, atuar rapidamente para suavizar os efeitos sobre as companhias prejudicadas”, declarou.
Alban informou ainda que a federação já está em conversas com o Executivo federal e com os ramos industriais mais impactados para estruturar medidas paliativas de curto prazo.
Contexto da investigação
A apuração comercial movida pelos americanos abrangeu 60 parceiros globais. Na deliberação derradeira, o Brasil foi classificado entre os países que, na ótica do governo dos EUA, “não lograram impor nem aplicar efetivamente” a vedação à importação de bens oriundos de trabalho forçado. O desfecho do processo gerou a sobretaxa extra de 12,5% sobre parte da pauta exportadora brasileira, que na grande maioria dos casos se acumula à taxa suplementar de 25% já em vigor desde o início desta semana.
FONTE: Kadoshwr Com informações da Comunhão e Agência Brasil – Economia, Wellton Máximo



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