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FAO registra leve alta global nos preços dos alimentos em julho, puxada por grãos e açúcar

FAO registra leve alta global nos preços dos alimentos em julho, puxada por grãos e açúcar

Preços de alimentos sobem 0,6% em julho, segundo a FAO. - Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Enquanto carnes e laticínios registraram perdas, o índice de cereais disparou e o açúcar teve a maior valorização do período, com o mercado de olho em conflitos, ondas de calor e políticas de biocombustíveis.

 

Segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (7) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a cesta básica internacional teve uma discreta elevação de custos no sétimo mês do ano. O movimento foi puxado pela forte alta nos preços de cereais, óleos vegetais e açúcar, que mais do que anularam as quedas observadas nas proteínas animais e nos derivados do leite.

 

O termômetro oficial da entidade atingiu a média de 131,1 pontos em julho, o que representa um avanço de 0,6% na comparação com junho e uma alta de 1% ante o mesmo período de 2025.

 

O setor de grãos foi o grande motor do resultado, com o índice específico saltando 3,4% no mês, chegando a 113,8 pontos – um patamar 6,9% superior ao registrado há um ano. O trigo teve uma disparada de 5,8%, refletindo o receio de embargos e danos à logística de escoamento na região do Mar Negro, somados às adversidades climáticas que afetaram a produtividade em grandes celeiros mundiais. O milho, por sua vez, avançou 3,6%, pressionado pelo clima seco nos Estados Unidos e pela influência da alta do petróleo em meio ao cenário geopolítico tenso. O arroz, entretanto, ficou praticamente estável no período.

 

Nos óleos vegetais, a alta foi de 2%, com o indicador alcançando 195,7 pontos – o maior nível desde junho de 2022. O óleo de palma estendeu sua trajetória de ganhos pelo segundo mês consecutivo, amparado pela procura aquecida para biodiesel na Indonésia e pela valorização do petróleo bruto. Já o óleo de soja subiu sustentado pela forte demanda americana por matéria-prima e pelo aumento das compras estrangeiras. Em contrapartida, os óleos de girassol e canola desvalorizaram-se ao longo do mês.

 

Após atingir um recorde histórico em junho, o índice de carnes sofreu uma correção de 2,8%, recuando para 127,7 pontos – a primeira baixa mensal de 2026. Quase todas as proteínas perderam fôlego, com exceção da carne ovina. O frango caiu devido ao excesso de oferta exportável do Brasil, enquanto a carne suína foi prejudicada pela abundante produção na União Europeia e pela demanda mundial enfraquecida. A bovina também cedeu, impactada pela desaceleração das compras asiáticas. Em contraste, o ovino voltou a bater seu recorde histórico.

 

Os laticínios também esboçaram retração, com queda de 0,7% no índice, que encerrou julho em 116,2 pontos (24,8% abaixo do verificado em 2025), estendendo a espiral de baixa observada desde abril. Leite em pó desnatado (-3,3%), leite em pó integral (-3,1%) e manteiga (-2,4%) puxaram o resultado para baixo. Na contramão, o queijo registrou sua primeira alta mensal em um ano, com ganho de 1,7%, favorecido pela menor disponibilidade sazonal de leite no continente europeu.

 

O destaque de valorização ficou por conta do açúcar, cujo índice disparou 5,6% em julho, fechando em 95 pontos. Segundo a FAO, o impulso veio das preocupações com o clima seco e quente na Europa, do impacto do El Niño sobre a produção asiática e da expectativa de maior consumo de etanol no Brasil após o aumento temporário da mistura obrigatória na gasolina. Apesar disso, as condições favoráveis de colheita no Centro-Sul brasileiro serviram como freio, impedindo que os ganhos fossem ainda mais expressivos no mercado internacional.

 

FONTE: Kadoshwr com informações da Comunhão e Estadão Conteúdo / Guilherme Nannini

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