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Câmara aprova monitoramento eletrônico imediato para agressores em casos de violência doméstica

Câmara aprova monitoramento eletrônico imediato para agressores em casos de violência doméstica

Câmara aprova tornozeleira imediata para agressores em casos de violência doméstica. Foto: Tiago Stille


Projeto de lei prevê uso de tornozeleira quando houver ameaça à mulher; delegados poderão aplicar medida em cidades sem juiz.

 

A Câmara dos Deputados deu sinal verde para um projeto que autoriza a Justiça a determinar, de forma ágil, a colocação de tornozeleiras eletrônicas em suspeitos de agressão contra mulheres sempre que existir perigo concreto à segurança da vítima. A iniciativa, que atualiza os dispositivos de segurança da Lei Maria da Penha, segue agora para avaliação do Senado Federal.

 

Conforme o texto aprovado, o magistrado terá autonomia para exigir o uso do equipamento de rastreamento diante de qualquer ameaça, seja ela física ou psicológica, à mulher ou a seus familiares. O objetivo é fortalecer as estratégias de prevenção e assegurar maior tutela às mulheres que enfrentam cenários de violência.

 

Nas regiões onde não há vara judicial instalada, a autoridade policial (delegado) também terá competência para requisitar a instalação imediata do dispositivo. A medida, no entanto, precisará ser submetida ao Ministério Público e ao juiz responsável no prazo máximo de um dia para que seja referendada.

 

A proposta também garante à mulher um equipamento de segurança interligado ao sistema de monitoramento, capaz de disparar um sinal de alerta em caso de aproximação do agressor. O mecanismo poderá acionar automaticamente as forças de segurança para atendimento da ocorrência.

 

A prioridade para o uso da tornozeleira será dada às situações em que o acusado já tenha violado ordens de proteção anteriores ou quando ficar evidente o perigo de novos episódios violentos. Qualquer decisão judicial que opte por interromper o monitoramento deverá ser devidamente fundamentada.

 

O financiamento das ações de proteção também foi contemplado no projeto. A fatia do Fundo Nacional de Segurança Pública destinada ao combate da violência contra a mulher sobe dos atuais 5% para 6%, recursos que poderão ser usados na aquisição e manutenção das tornozeleiras.

 

Na avaliação do advogado Johannes Nascimento, a medida insere uma nova camada de segurança para as vítimas. "O monitoramento por tornozeleira viabiliza o acompanhamento contínuo do respeito às medidas protetivas, permitindo uma resposta imediata do Estado diante de qualquer tentativa de aproximação. Não é a solução definitiva, mas contribui significativamente para evitar que novas violências ocorram", afirma.

 

Com a tramitação avançando, a matéria será analisada pelos senadores. Se aprovada sem modificações, seguirá para sanção presidencial. Caso haja alterações, retorna para nova votação na Câmara. Em caso de rejeição no Senado, o projeto será arquivado.

 

Cenário de violência

 

O texto destaca o preocupante aumento dos feminicídios no Brasil, sobretudo aqueles praticados por parceiros ou ex-parceiros que já estavam sob medidas restritivas. Em 2025, o país contabilizou 1.568 mulheres mortas em decorrência de feminicídio, uma alta de 4,7% em relação ao ano anterior. Desde 2021, o crescimento acumulado chega a 14,5%, conforme estatísticas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

 

A pesquisa também revela que, em 2024, 13,1% das mulheres vítimas de feminicídio possuíam medida protetiva vigente na ocasião do assassinato.

 

Desde a entrada em vigor da Lei do Feminicídio (nº 13.104/2015), que classifica o crime como hediondo quando motivado por questões de gênero, o Brasil registrou 13.703 mortes desse tipo entre 2015 e 2025.

FONTE: Kadoshwr com informações da comunhão 

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