Integrantes da Guarda Revolucionária do Irã. (Captura de tela/YouTube/Washington Post)
A decisão europeia tem como objetivo criminalizar e limitar a atuação e a influência da milícia no continente.
Em uma medida inédita revelada nesta quinta-feira (29), os chefes da diplomacia da União Europeia (UE) decidiram incluir a Força Quds e a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) na lista de grupos terroristas do bloco.
A medida visa proibir e penalizar as atividades da IRGC no território europeu, afetando sua influência política e económica, dado o seu controlo sobre uma parte considerável da economia iraniana.
A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, declarou que "qualquer regime que mata milhares dos seus próprios cidadãos está a caminho do seu próprio colapso". A declaração acompanhou o anúncio de novas sanções contra responsáveis pela repressão violenta de protestos no Irã, que resultou em milhares de mortes.
O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Sa'ar, classificou a decisão como "histórica e significativa", resultado de anos de esforços diplomáticos. Segundo ele, esta designação "atingirá o coração do regime" que controla grande parte da economia iraniana e lidera a repressão brutal, sendo também uma mensagem de apoio ao povo iraniano que luta pela liberdade.
A decisão foi antecedida pelo anúncio de apoio da França, que inicialmente hesitara. O ministro francês, Jean-Noël Barrot, afirmou que a repressão "insuportável" aos protestos pacíficos não poderia ficar sem resposta.
Em resposta iminente, a IRGC anunciou exercícios navais com munição real no Estreito de Ormuz para os dias 1 e 2 de fevereiro. Esta via marítima é crucial para a exportação global de petróleo.
Papel repressivo interno e perseguição religiosa
Para além do seu papel militar, a IRGC e a Força Quds são pilares fundamentais na sustentação do regime teocrático iraniano, encarregadas de defender a ordem política-religiosa e suprimir dissidências. Esta repressão estende-se de forma severa às minorias religiosas, em particular aos cristãos convertidos do Islão.
Estes cristãos enfrentam vigilância estatal, detenções arbitrárias, acusações vagas de "ameaça à segurança nacional", interrogatórios coercivos e o encerramento forçado de igrejas domésticas. Estas violações sistemáticas da liberdade religiosa são documentadas por organizações internacionais de direitos humanos.
De acordo com a Portas Abertas, que inclui o Irã na sua Lista Mundial de Perseguição, o país apresenta um nível "muito alto" de perseguição aos cristãos. Estima-se que a comunidade cristã no Irã seja de cerca de 800.000 pessoas, muitas das quais vivem sob pressão constante do Estado e da sociedade.
FONTE: Kadoshwr com informações Jerusalém post


