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Fome global cai pelo terceiro ano e atinge 645 milhões de pessoas, mas ritmo de avanço preocupa a ONU

Fome global cai pelo terceiro ano e atinge 645 milhões de pessoas, mas ritmo de avanço preocupa a ONU

Foto: Fao Albert / Gonzalez Farran

 

Relatório SOFI 2026 aponta redução de 14 milhões de famintos em relação a 2024, mas África ainda concentra 309 milhões de casos; custo elevado de dietas saudáveis e crise nutricional infantil ameaçam metas de 2030.

 

O número de pessoas que passam fome no mundo continuou a diminuir, atingindo a marca de 645 milhões em 2025, o que representa cerca de 7,8% da população global. Os dados, divulgados nesta terça-feira (21) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, mostram uma melhora de quase 14 milhões de pessoas em relação a 2024 e de 43 milhões quando comparado a 2022.

 

O levantamento é parte da edição 2026 do relatório "O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo" (SOFI), elaborado pela FAO em conjunto com o FIDA, OMS, PMA e Unicef. Apesar da tendência de queda, os especialistas alertam que o progresso ainda é lento e insuficiente para garantir o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até a próxima década.

 

Desigualdade continental e custo alimentar

A recuperação contra a fome tem ocorrido de forma bastante desigual. Enquanto Ásia, América Latina e Caribe apresentam melhorias consistentes, a África permanece como a região mais crítica: cerca de 309 milhões de africanos, ou uma em cada cinco pessoas no continente, enfrentaram a fome em 2025.

 

O relatório também destaca os desafios econômicos. Atualmente, 2,69 bilhões de pessoas no mundo (32,7% da população) não possuem condições financeiras para arcar com uma alimentação saudável, cujo custo médio global subiu para US$ 4,28 (em paridade de poder de compra) por pessoa ao dia. A situação é particularmente grave na África, onde 66,6% da população não tem acesso a esse tipo de dieta.

 

Vulnerabilidade e metas comprometidas

A insegurança alimentar moderada ou severa ainda afeta 2,1 bilhões de pessoas (25,8% da população mundial), com as áreas rurais e as mulheres sendo os grupos mais vulneráveis. O estudo aponta ainda um retrocesso em indicadores nutricionais críticos: 150 milhões de crianças menores de 5 anos sofrem com atraso no crescimento, os níveis de anemia entre mulheres em idade fértil estão piorando globalmente, e a obesidade adulta subiu de 12,1% para 16,2% na última década.

 

O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, e a ministra brasileira do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, destacaram em seus discursos no evento a necessidade de urgência. Para eles, o combate à fome exige compromisso político, investimentos em infraestrutura agrícola e políticas que tornem as dietas saudáveis mais baratas. O relatório também traz um alerta adicional: a instabilidade causada por conflitos como os do Oriente Médio, os impactos climáticos do El Niño e a redução da ajuda humanitária internacional podem intensificar a crise nos próximos anos, colocando em risco os avanços conquistados.

FONTE: Kadoshwr com informações da Agência Brasil por Daniella Almeida - Repórter da Agência Brasil 

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