Quase 100 pessoas invadiram o templo. (Foto: Reprodução/Instagram/cpimcc).
Cerca de 100 vândalos atacaram o templo presbiteriano em Sonarpur (Bengala Ocidental), derrubaram cruzes e pilares, e acusaram fiéis de conversão ilegal, enquanto a comunidade cristã local denuncia perseguição sistemática.
Uma multidão violenta de extremistas hindus atacou um templo protestante no último domingo (5) no estado de Bengala Ocidental, na Índia, deixando um rastro de destruição no local.
Conforme noticiou o The Indian Express, aproximadamente 100 invasores tomaram a congregação da Igreja Presbiteriana da Índia, situada na cidade de Sonarpur. Os agressores forçaram a entrada arrombando o portão de madeira, depredaram o interior do santuário, derrubaram dois pilares que haviam sido recentemente erguidos e quebraram três cruzes instaladas no telhado, tudo enquanto entoavam gritos nacionalistas e intimidavam os membros presentes.
“Jamais tínhamos vivenciado algo assim. Era por volta das 15h quando eles se reuniram perto da igreja. Estávamos fazendo a pintura interna. Eles nos acusaram de estar aliciando pessoas para conversão e começaram a saquear tudo. Tentamos contestar, mas éramos em menor número”, relatou Barnali Bhiyan, membro da congregação, ao periódico indiano.
Utpal Ghosh, outro fiel, descreveu o método do ataque: “Eles arrombaram a porta de madeira, estourando as dobradiças. Depois, pegaram uma escada que os operários estavam usando e subiram no telhado para cometer os atos de vandalismo.” Os agressores teriam se apresentado como integrantes do grupo hindu radical Hindu Jagran Manch (HJM) e insistiram na acusação de que os cristãos estariam usando dinheiro para atrair novos fiéis.
A confusão cultural também foi levantada pela membro Champa Bhuiyan, que questionou a abordagem dos vândalos: “Eles nos perguntaram por que usamos shakha-pola e sindur (adereços tradicionais hindus usados por casados) se nos declaramos cristãos. Não consegui fazê-los entender que isso é uma herança de gerações na nossa família. Somos pobres, de onde tiraríamos dinheiro para subornar alguém?”.
Diante do caos, moradores acionaram a polícia, que prendeu três jovens suspeitos. As autoridades confirmaram a abertura de um boletim de ocorrência (FIR) para apurar o caso, conforme informou o Reverendo Stephen BC, líder da igreja.
Comunidade sitiada
A região de Subhasgram, onde ocorreu o ataque, abriga cerca de 50 famílias cristãs (totalizando 116 membros). O grupo costumava realizar cultos em uma sala alugada e, em março deste ano, adquiriu um terreno para construir sua própria sede. “Se alguém tinha alguma reclamação, deveria ter procurado as autoridades antes. Por que atacar agora?” questionou a membro Geeta Haldar.
Alerta nacional
O Conselho Cristão de Bengala (BCP) manifestou profunda apreensão diante da escalada de violência contra a minoria cristã no estado. O cofundador Herod Mullick afirmou à UCA News que os ataques parecem ser “sistemáticos” e que se intensificaram após a chegada ao poder do partido nacionalista hindu Bharatiya Janata (BJP). “Os cristãos são agredidos primeiro, e depois sofrem acusações falsas de proselitismo forçado”, denunciou.
O episódio reforça o cenário de hostilidade contra os seguidores de Cristo na Índia, que atualmente ocupa a 12ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026, divulgada pela Missão Portas Abertas.
FONTE: Kadoshwr com informações do Guiame e The Índia Express, The Were e Uca News


