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Documentário revela a expansão e a pluralidade do movimento evangélico brasileiro

Publicada em: 09/07/2026 20:19 -

Documentário revela diversidade evangélica e sua influência social. - Foto: Reprodução internet/C

 

Produção da Brasil Paralelo mostra como o segmento saiu dos templos para influenciar a política, a assistência social e a educação, desconstruindo a visão de um bloco homogêneo.

 

A trajetória de crescimento dos evangélicos no território nacional, o crescente impacto dessa fatia populacional na esfera social e a vasta gama de correntes existentes entre templos e lideranças são os temas centrais do filme "O Brasil Evangélico". Lançado na última quarta-feira (8) pela divisão de jornalismo investigativo da Brasil Paralelo, a obra audiovisual, que ultrapassa a marca de 120 minutos, traça um raio-x histórico e atual do protestantismo no país. Para isso, reúne vozes de pastores, cientistas, agentes políticos, representantes religiosos e membros das comunidades, além de retratar iniciativas de cunho social mantidas por denominações em várias localidades do Brasil.

 

Entre os nomes que aparecem na tela estão o ministro do STF André Mendonça, líderes religiosos de variadas matrizes, estudiosos e deputados ligados ao segmento. A produção ainda dedica um olhar especial às ações solidárias, com destaque para os chamados "barcos-hospital" que operam em zonas ribeirinhas. Ao longo da narrativa, são discutidos tópicos como o direito à liberdade de crença, a atuação parlamentar evangélica, o auxílio comunitário, o expressivo aumento numérico desse grupo e as polêmicas em torno de vertentes teológicas específicas, como a teologia da prosperidade, alvo de questionamentos por parte de alguns entrevistados.

 

A grande tese defendida pela produção é justamente o combate ao estereótipo de que os evangélicos constituem uma massa uniforme. Em uma das falas captadas, o pastor Yago Martins refuta essa visão simplificada. Para ele, classificar o universo evangélico como um grupo coeso é um erro. Na prática, conforme pontua, o rótulo frequentemente serve apenas para distinguir o indivíduo do catolicismo, carecendo de definição doutrinária única. Martins ressalta que a pluralidade de tradições e hermenêuticas é a verdadeira marca dessa identidade, que, embora enraizada na Reforma Protestante do século XVI, desdobra-se em inúmeras ramificações. Ele conclui que o evangélico se define, em grande medida, por aquilo que não é (não católico), e que tentar enquadrar essa imensa gama de crenças secundárias em um só movimento seria desprezar sua intrincada realidade.

 

Para contextualizar o espectador, a obra percorre a linha do tempo do protestantismo. O acadêmico Jean Regina relembra o estopim do movimento com as 95 teses de Lutero em 1517, que deram origem às denominações históricas (luteranos, presbiterianos e batistas). Na sequência, aborda-se a chegada do pentecostalismo clássico, inspirado pelo Reavivamento da Rua Azusa (1906, EUA), berço da Assembleia de Deus no Brasil. Contudo, o pastor Douglas Baptista faz uma ressalva histórica importante: o pentecostalismo tupiniquim também recebeu influência de um reavivamento paralelo ocorrido entre batistas suecos em Chicago. A narrativa avança até o final dos anos 1970 para retratar o neopentecostalismo, fenômeno marcado pela explosão das megaigrejas e pela conquista do espaço midiático, que saiu do rádio e da TV para dominar as redes digitais. Para além desses três grandes blocos, a produção menciona a proliferação de igrejas independentes, geridas por líderes sem filiação às convenções tradicionais. Apesar das divergências teológicas, Regina sintetiza o ponto de união: a herança reformista do século XVI, que se desdobra em ondas sucessivas, mas mantém todos sob o mesmo guarda-chuva protestante.

 

Em suas duas horas de exibição, "O Brasil Evangélico" se propõe a documentar a migração do fervor religioso para além das paredes dos templos, infiltrando-se decisivamente na política, na promoção social e no ensino, ao passo que escancara a rica e complexa pluralidade que pulsa no coração da comunidade evangélica brasileira.

 

 

FONTE: Kadoshwr com informações da Comunhão por Cristiano Stefenoni 

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