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Relatório do Ministério do Interior aponta explosão de casos antissemitas após 7 de outubro e crescimento expressivo contra cristãos e muçulmanos em 2025; especialistas cobram melhor rastreio de crimes online.
Após a publicação de um levantamento estatístico inédito da pasta da Segurança Interna francesa sobre a trajetória da hostilidade contra religiões no país, representantes de grupos confessionais dividem-se entre o alívio pela clareza dos dados e a inquietação diante dos números revelados. O estudo, batizado de "Panorama dos atos anticrença de 2025", disponibilizado há pouco, compila informações referentes aos últimos 15 anos, iniciando em 2010.
Com extensão de 40 laudas, o balanço evidencia uma elevação recente nas ocorrências que vitimam as três principais correntes religiosas (cristianismo, judaísmo e islamismo), ao mesmo tempo em que expõe fragilidades no monitoramento de delitos cometidos em espaços virtuais, tais como plataformas digitais e redes sociais.
O ministro Laurent Núñez reconhece textualmente no estudo que o país testemunha "um recrudescimento de práticas anticulto, que reverberam em todas as denominações". O texto ainda enfatiza que parte relevante desses episódios nas redes foge à abrangência das estatísticas oficiais.
A especialista em garantias civis do Conselho Nacional de Evangélicos da França (CNEF), Nancy Lefevre, classificou a divulgação como um passo relevante rumo à abertura de informações. Em diálogo com o Evangelical Focus, ela afirmou que estatísticas mais aprofundadas "sinalizam um caminho promissor", por fomentarem a união de esforços no combate aos delitos de ódio.
Impacto do 7 de outubro no antissemitismo
O relatório aponta que os atentados do Hamas contra Israel em outubro de 2023 provocaram "uma disparada inédita de ocorrências antijudaicas" em território francês. A escalada ocorreu já a partir do dia seguinte ao ataque, precedendo qualquer ação militar israelense. Em 2023, contabilizaram-se 1.676 episódios de antissemitismo, dos quais 1.242 concentrados entre 7 de outubro e o fim do ano — equivalente a uma alta de 1.209% em relação ao intervalo prévio. Já em 2025, o Ministério registrou 890 agressões a judeus. Embora os ataques a sinagogas e sepulturas tenham se mantido estáveis, houve um avanço considerável nas afrontas diretas a pessoas.
Onda de violência contra cristãos
No ano passado, as ocorrências contra o cristianismo somaram 843, configurando um incremento de 9% sobre 2024. Cerca de um terço desses casos consistiu em violência física contra indivíduos. A maioria absoluta (87%) envolve prejuízos materiais, com 627 ataques a templos cristãos — incluindo furtos, depredações e inscrições ofensivas. Foram anotados ainda 45 episódios de incêndio criminoso em igrejas, além de um salto de 86% nas interrupções de celebrações e ameaças aos praticantes, totalizando 54 registros.
Crescimento expressivo contra muçulmanos
Os incidentes contra o Islã apresentaram uma escalada vigorosa em 2025, chegando a 326 casos — uma disparada de 88% na comparação com o ano antecedente. O governo atribui o avanço, sobretudo, ao crescimento de 151% nas ofensas contra fiéis. Trata-se do maior patamar de hostilidades a muçulmanos desde 2015. O levantamento menciona agressões, intimidações, danos a patrimônios e gestos de intolerância simbólica, como a colocação de carcaças suínas em frente a mesquitas e espaços comunitários.
A alta concomitante de violência voltada a diferentes matrizes religiosas acirra o debate público na França em torno da liberdade de crença, da proteção social e do enfrentamento ao radicalismo. Na visão de autoridades e lideranças espirituais, o próximo passo exige o aprimoramento de políticas preventivas e a expansão do diálogo entre o poder público e as comunidades afetadas para conter a trajetória ascendente dos delitos de intolerância no país.
FONTE: Kadoshwr com informações da Comunhão por Patrícia Scott


