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EUA e Irã firmam trégua com mediação do Paquistão; acordo prevê novas rodadas de negociação

Publicada em: 15/06/2026 14:59 -

EUA e Irã anunciam cessar-fogo para encerrar guerra no Oriente Médio. - Foto: Portal ES Brasil/Agência Brasil

 

Donald Trump anuncia cessar-fogo neste domingo (14); governo iraniano envia representantes à Suíça para assinatura, mas questões como programa nuclear e sanções seguem sem solução.

 

Os Estados Unidos e o Irã fecharam neste domingo (14) um acordo para interromper os combates, conforme anunciado pelo presidente americano, Donald Trump, e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como intermediário. O cessar-fogo possibilita a abertura de conversas que poderão levar ao fim definitivo do conflito, já com três meses e meio de duração, com milhares de mortos e repercussões negativas na economia mundial.

 

“O pacto com o Irã está pronto. Parabéns a todos!”, escreveu Trump em suas redes. O regime iraniano ainda não se manifestou oficialmente, mas confirmou que o general Mohammad Bagher Ghalibaf, seu principal negociador, e o chanceler Abbas Araghchi viajarão a Genebra para ratificar o acordo. A televisão estatal Irib celebrou: “Os EUA foram obrigados a aceitar o fim da guerra”, declarou a voz oficial de Teerã.

 

Sharif, peça-chave nas tratativas, afirmou nas redes que a “cerimônia oficial de assinatura ocorrerá na sexta-feira (dia 19), na Suíça”. Ele não esclareceu se o documento já havia sido assinado de forma eletrônica, como se especulava. De acordo com Trump, o pacto prevê a reabertura do Estreito de Ormuz sem cobrança de pedágios a partir de sexta. O presidente também autorizou “a suspensão imediata do bloqueio naval dos EUA” sobre portos iranianos. “Navios do mundo, liguem seus motores! Deixem o petróleo fluir!”, escreveu.

 

O conteúdo integral do documento não foi tornado público, mas a mensagem de Trump segue o que autoridades americanas e iranianas já haviam sinalizado. Os pontos principais incluem uma pausa nos combates de 60 dias, seguida de novas negociações para um tratado definitivo.

 

Após o anúncio, ambas as partes tentaram vender o entendimento como um triunfo diplomático. Contudo, temas delicados — como o destino do programa nuclear iraniano e o alívio das sanções impostas pelos EUA — ficaram para ser discutidos na próxima fase de conversas.

 

Risco de colapso

 

A assinatura, que Trump havia prometido para o dia em que completou 80 anos, quase foi prejudicada. Israel, insatisfeito com os termos negociados, realizou bombardeios nos arredores de Beirute, matando três pessoas. Os ataques foram uma resposta a disparos de foguetes e drones do Hezbollah, grupo libanês apoiado pelo Irã. Trump criticou o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, por não demonstrar “bom senso”. “Estamos muito perto de um acordo que trará paz à região, incluindo ao Líbano, e todos os lados devem recuar”, escreveu.

 

O confronto ameaçou o cessar-fogo. Figuras influentes do regime iraniano prometeram reação e culparam os EUA por eventual fracasso da diplomacia caso não controlassem Israel. No entanto, negociações de última hora, lideradas pelo Catar, aliviaram as tensões, e o acordo foi concluído de madrugada em Teerã.

 

Obstáculos ainda em pé

 

O futuro do programa nuclear iraniano continua indefinido, sem que nenhum dos lados mostre disposição para ceder. Negociadores haviam dito que americanos e iranianos conduzirão conversas detalhadas sobre o tema e sobre a suspensão das sanções americanas ao Irã nos próximos 60 dias.

 

O Líbano é outro ponto sensível. O Irã exige que um futuro tratado de paz force Israel a encerrar seus ataques contra o Hezbollah — que já deixaram mais de 3,5 mil mortos — e retire suas tropas do território libanês ocupado. Israel, que não participou diretamente das negociações entre EUA e Irã, declarou que continuará atacando o Líbano se o Hezbollah atingir seu território.

 

No domingo, o canal israelense Channel 12 informou que assessores de Netanyahu ficaram perplexos com as críticas de Trump. Analistas citados pela Fox News temem que o premiê israelense tente sabotar o acordo entre EUA e Irã ao manter os ataques ao Líbano. (Com agências internacionais)

 

FONTE: Kadoshwr com informações da Comunhão e Estadão Conteúdo – Internacional, Redação O Estado de S. Paulo

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