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Curva de juros futuros se inclina com aviso dos EUA e pausa esperada na queda da Selic

Publicada em: 04/06/2026 08:21 -

Mercado ajusta juros longos com Selic e tarifas dos EUA. - Foto: Wordpress Comunhao/Marcello Casal Jr

 

Após ajuste alinhado às apostas para o Copom, taxas longas sobem com tarifa adicional de 25% ameaçada por Washington; DI para 2031 fecha acima de 14%.

 

Depois de um movimento único na segunda-feira, em que as taxas futuras acompanharam a expectativa de reprecificação da Selic, o mercado de juros passou a operar com inclinação mais acentuada nesta terça-feira, 2. De acordo com gestores de renda fixa e economistas ouvidos pela Broadcast (plataforma de notícias em tempo real do Grupo Estado), a nova dinâmica refletiu não apenas o aumento das apostas numa possível interrupção do ciclo de ajuste da taxa básica após a reunião do Copom deste mês, mas também a incorporação de prêmios maiores nos contratos de longo prazo. O fator adicional de risco veio dos Estados Unidos, que ameaçaram impor uma tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros.

 

Ao fim do pregão, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 recuou ligeiramente, de 14,175% para 14,16%. Já o DI para janeiro de 2029 subiu de 13,98% para 14,015%, e o contrato para janeiro de 2031 avançou de 13,96% para 14,035%.

 

“A inclinação reflete um pouco a assimilação de um cenário em que o Banco Central realmente interrompe os cortes em agosto”, afirmou, sob condição de anonimato, um gestor de renda fixa de uma das maiores asset do país. Com apenas mais uma redução de 0,25 ponto percentual da Selic projetada, as taxas curtas têm espaço limitado de alta, o que força uma abertura maior dos juros longos em momentos de tensão. A curva futura já precifica a Selic em 14,25% no fim de 2026.

 

Na mesma linha, Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, destacou que o movimento observado deu continuidade ao que já vinha do pregão anterior, influenciado pela elevação das projeções para o IPCA e para a Selic por grandes instituições financeiras. “Isso tem gerado uma recalibração de posições, com menor retorno esperado em estratégias de juros”, explicou. Ele lembrou que os dados recentes de atividade vieram acima do esperado e a inflação mantém composição desfavorável, com deterioração dos núcleos e dos serviços.

 

“Mesmo que de forma gradual, as expectativas de inflação seguem se distanciando da meta de 3%, o que torna o ambiente mais desafiador para a política monetária”, acrescentou Lima.

 

Nesse contexto já adverso para a renda fixa local, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) anunciou na madrugada uma proposta de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 15 de julho, com algumas exceções, no âmbito de uma investigação da Seção 301.

 

Luis Otávio de Souza Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners, avaliou que a notícia não é exatamente nova, mas tampouco é positiva — ainda mais porque as primeiras reações do governo brasileiro foram agressivas. “O clima com essa notícia não ficou bom”, disse.

 

Segundo Leal, a tarifa extra pode prejudicar a competitividade do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, visto como o favorito do mercado, já que uma ala do PT passou a associar a sobretaxa ao encontro dele com Donald Trump. “Isso eleva a percepção de risco, pois o governo pode reagir com reciprocidade. Num ano eleitoral, essas bravatas se tornam mais prováveis, e o Brasil é o elo mais fraco dessa discussão”, concluiu.

 

FONTE: Kadoshwr Com informações da Comunhão e Estadão Conteúdo – Economia, Arícia Martins

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