Especialistas explicam, sob a ótica da medicina, os tormentos da crucificação de Cristo

Publicada em: 04/04/2026 08:05 -

Filmagem da crucificação da série “The Chosen”. (Foto: Reprodução/Instagram/ The Chosen Brasil).

 

Estudos e experimentos com voluntários buscam desvendar as causas da morte de Jesus e a intensidade do sofrimento físico e espiritual na Sexta-Feira Santa.

 

Ao redor do mundo, os cristãos relembram na Sexta-Feira Santa a morte de Jesus. Paralelamente, há décadas cientistas investigam, do ponto de vista clínico, o suplício da crucificação.

 

No início dos anos 2000, o médico legista Frederick Thomas Zugibe, professor da Universidade de Columbia (EUA), conduziu um experimento com voluntários de cerca de 30 anos, amarrados a uma cruz de madeira e monitorados por eletrocardiograma, pulsação e pressão arterial. Ele concluiu que os pregos de 12,5 cm usados nos pés e nas mãos de Jesus atingiram nervos vitais, provocando dores incessantes e insuportáveis.

 

A partir de seus testes, Zugibe levantou três hipóteses para a morte de Cristo — as mais aceitas até hoje: asfixia, ataque cardíaco ou choque hemorrágico.

 

O médico cristão Domingos Mantelli explicou, em postagem nas redes, a dificuldade respiratória do crucificado: “O corpo ficava suspenso pelos braços e pés pregados, com os ombros deslocados e o tórax travado em inspiração parcial. Para expirar e inspirar de novo, Jesus precisava se impulsionar sobre os pregos dos pés, gerando dor excruciante e exaustão”. Com o tempo, a respiração tornava-se inviável, levando à hipóxia e à morte por asfixia progressiva.

 

Mantelli conclui que o óbito envolveu uma combinação de choque hipovolêmico (perda grave de sangue), asfixia por exaustão e falência cardíaca. O historiador Gerardo Ferrara, da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, lembra que a crucificação podia durar horas ou até dias, com espasmos, náuseas e impossibilidade de circulação adequada. Outros estudiosos apontam tamponamento cardíaco ou ruptura do miocárdio — o que explicaria o relato de João 19:34 (“sangue e água” saindo da lançada, sugerindo derrames pericárdico e pleural).

 

Tortura e humilhação romana

Segundo Ferrara, a crucificação era aplicada desde 217 a.C. a escravos e não cidadãos romanos, sempre precedida de açoites. No caso de Jesus, considerado judeu de baixa classe social, usou-se o azorrague — chicote com bolas de metal e pontas de osso que arrancava pedaços de carne. Isso causava hemorragias intensas, danos no fígado e baço, além de acúmulo de líquidos nos pulmões.

 

Sofrimento espiritual

O arqueólogo Rodrigo Silva destaca que, além da dor física e psicológica, Jesus viveu a angústia espiritual do abandono ao clamar: “Deus meu, por que me abandonaste?”. Domingos Mantelli conclui com uma reflexão: “Ele passou por tudo isso por amor a mim e a você. A boa notícia é que vivo Ele está!”.

FONTE: Kadoshwr com informações da Guiame e BBC Brasil 

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