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Honduras discute uso da Bíblia na rede pública de ensino

Publicada em: 06/02/2026 06:14 -

O Congresso aprovou por unanimidade a criação de uma comissão especial multipartidária, que terá prazo de 30 dias para apresentar um relatório técnico sobre a viabilidade da proposta - Foto: Reprodução

 

 

 

Proposta avança com criação de comissão especial e reabre debate sobre Estado laico e o papel dos valores na educação


O Congresso de Honduras começou a analisar, nesta terça-feira (4), um projeto que propõe a leitura da Bíblia nas escolas públicas do país. A proposta foi apresentada pelo presidente do Legislativo, José Tomás Zambrano Molina, e gerou um amplo debate entre deputados sobre o papel da educação na formação de valores éticos e sociais.

 

Zambrano, que é evangélico, afirmou que a iniciativa resulta de diálogos com lideranças das igrejas Católica e Evangélica. Ele ressaltou que a medida não tem caráter religioso, mas visa fortalecer princípios morais e de convivência social, que estariam em declínio entre os jovens. Como primeiro passo, o Congresso aprovou por unanimidade a criação de uma comissão multipartidária, com prazo de 30 dias para apresentar um estudo sobre a viabilidade do projeto. A comissão contará com nove deputados, representantes do Ministério da Educação e das igrejas Católica e Evangélica, com o objetivo declarado de promover uma "cultura de paz".

 

A proposta, no entanto, enfrenta obstáculos legais. Para ser implementada, seria necessário alterar artigos da Constituição que garantem o caráter laico do Estado. Defensores argumentam que a leitura bíblica ajudaria a prevenir a violência e a reforçar a educação cívica, enquanto opositores alertam para o risco de conflito com o princípio da separação entre Estado e religião.

 

Organizações da sociedade civil também se manifestaram. A Associação de Pais de Honduras defendeu que mudanças no currículo escolar devem respeitar o papel da família na formação dos filhos e a diversidade religiosa do país. A entidade não se opõe à promoção de valores éticos, mas rejeita a imposição de conteúdos sem consulta prévia, sugerindo que a participação dos alunos em tais atividades seja voluntária e amplamente discutida com as comunidades escolares.

FONTE: Kadoshwr com informações Comunhão 

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