(foto reprodução)© PAULO PINTO/AGENCIA BRASIL
Número total de pessoas não localizadas chegou a 84,7 mil no ano, expondo grave crise de desaparecimentos no país.
Em 2025, o Brasil contabilizou 84.760 casos de pessoas desaparecidas, uma média de 232 por dia. O número representa um aumento de 4,1% em relação a 2024 (81.406 registros) e é o mais alto desde a criação da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, em 2019, quando foram 81.306 ocorrências.
Os dados, do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), mostram que a tendência de alta é persistente, com queda significativa registrada apenas em 2020 e 2021 – reflexo, segundo especialistas, das restrições da pandemia de Covid-19, que dificultaram as denúncias.
Paralelamente, o número de pessoas localizadas também cresceu: foi de 37.561 em 2020 para 56.688 em 2025, alta de 51%. Esse avanço é atribuído tanto ao aumento dos casos quanto a melhorias nas ferramentas de busca, conforme a coordenadora do Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil (UnB), Simone Rodrigues.
Ela alerta, no entanto, que as estatísticas oficiais não captam a real dimensão do problema devido à grande subnotificação, especialmente em casos associados à violência organizada, crimes não esclarecidos ou envolvendo populações vulneráveis.
Política Nacional ainda em fase inicial
A Política Nacional, sancionada em 2019, é considerada um marco, mas sua implementação é lenta. Seu principal instrumento, o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, só foi lançado em 2025 e conta com a adesão de apenas 12 dos 27 estados.
A especialista Simone Rodrigues aponta uma série de desafios: fragmentação de dados entre estados, falta de um sistema nacional de identificação biométrica e a persistência de mitos, como a falsa necessidade de esperar 24 ou 48 horas para registrar um desaparecimento.
Crianças e adolescentes: aumento preocupante
Os casos envolvendo menores de 18 anos cresceram 8% entre 2024 e 2025, saltando de 22.092 para 23.919 – o que representa 28% do total de desaparecimentos no ano. Desse grupo, a maioria (62%) são meninas. Embora o número de 2025 seja 14% menor que o de 2019, o aumento recente acende um alerta.
Especialistas ressaltam a complexidade das causas, que vão desde fugas de violência doméstica até crimes como exploração sexual e tráfico de pessoas, exigindo uma abordagem sensível e sem estereótipos por parte das autoridades.
Posicionamento do Ministério da Justiça
O Ministério da Justiça e Segurança Pública reconhece a subnotificação e pondera que o aumento de 4% nos registros de 2025 não significa, necessariamente, um crescimento real de casos. A pasta afirma trabalhar na estruturação da Política Nacional, com capacitação de agentes, campanhas de coleta de DNA e comunicação, e espera integrar todos os estados ao Cadastro Nacional até meados de 2026.
FONTE: Kadoshwr com informações da agência Brasil

