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Brasil se aproxima de 100 casos de mpox em 2026, mas cenário é de monitoramento, não de alarme

Publicada em: 26/02/2026 06:06 -

Lesões causadas pelo Mpox (Foto reprodução )

 

Com 63 registros apenas em São Paulo, autoridades monitoram cenário de baixa gravidade, mas infectologistas apontam necessidade de vigilância diante de nova variante internacional e aglomerações recentes

 


O Brasil já contabiliza 90 casos confirmados de mpox em 2026, com uma concentração significativa no estado de São Paulo, segundo os dados mais recentes do painel do Ministério da Saúde atualizados nesta semana . O número, que praticamente dobrou em poucos dias (eram 48 no dia 20 de fevereiro), coloca as autoridades de saúde em estado de atenção, embora o cenário atual seja considerado de baixa gravidade .

 

Apesar do aumento no número de notificações — reflexo de uma vigilância epidemiológica ativa —, a pasta informa que não há registro de óbitos pela doença neste ano e que a maioria dos pacientes apresenta quadros clínicos leves a moderados .

 

Distribuição dos casos

 

De acordo com a consolidação dos dados estaduais e federais, os casos estão distribuídos da seguinte forma pelo país:

 

· São Paulo: 63 casos

· Rio de Janeiro: 15 casos

· Rondônia: 4 casos

· Minas Gerais: 3 casos

· Rio Grande do Sul: 2 casos

· Paraná: 1 caso

· Santa Catarina: 1 caso

· Distrito Federal: 1 caso

 

A região Sudeste concentra a grande maioria das infecções, com São Paulo liderando as notificações . Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo informou que monitora os casos e que, apesar do volume, a taxa de transmissão comunitária permanece controlada e sem indícios de uma explosão de contágios descontrolada .

 

Comparação com anos anteriores

 

Para contextualizar os números, é importante olhar para o histórico recente da doença no país. Em 2025, o Brasil confirmou 1.079 casos de mpox e registrou dois óbitos . Embora o ano de 2026 tenha começado com um ritmo de contágio mais lento em comparação ao mesmo período do ano passado, o salto repentino no mês de fevereiro acendeu um alerta entre infectologistas .

 

"A situação não é nova. O Brasil vem registrando casos esporádicos de mpox desde 2022. O que vemos agora é uma oscilação esperada, mas que exige resposta rápida para evitar a formação de um novo surto", explica Cristhieni Rodrigues, infectologista ouvida pela Veja Saúde .

 

A nova variante e o Carnaval

 

Uma preocupação adicional que ronda a comunidade científica é o surgimento de uma nova variante do vírus, identificada recentemente em casos no Reino Unido e na Índia. Trata-se de uma cepa híbrida, resultado da recombinação de tipos virais diferentes . Por enquanto, não há confirmação dessa nova variante no Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) mantém a avaliação de risco inalterada para a população geral, não havendo evidências de uma nova emergência global no momento .

 

Outro fator que está no radar dos especialistas é o possível impacto das festas de Carnaval, que ocorreram neste mês. A mpox é transmitida principalmente pelo contato físico direto com lesões de pele, fluidos corporais ou objetos contaminados, e as aglomerações típicas da festa podem facilitar a circulação do vírus .

 

"Nós vamos ter o grande teste após o Carnaval. Se mais casos forem detectados nas próximas semanas, podemos considerar uma questão de saúde pública maior", alertou o infectologista Juvencio Furtado ao portal Veja Saúde antes da festa .

 

O que é e como prevenir

 

A mpox é uma doença viral que causa erupções cutâneas semelhantes a bolhas ou feridas, que podem surgir no rosto, mãos, pés, região genital ou no corpo todo. Outros sintomas incluem febre, dores musculares, dor de cabeça e gânglios inchados (ínguas) .

 

O período de incubação varia de 3 a 16 dias, podendo chegar a 21. O tratamento é focado no alívio dos sintomas, e a recomendação principal para quem é diagnosticado é o isolamento imediato até a completa cicatrização das lesões, evitando compartilhar objetos pessoais .

 

A prevenção continua sendo a melhor estratégia:

 

· Evitar contato próximo com pessoas que tenham lesões de pele suspeitas.

· Higienizar as mãos frequentemente com água e sabão ou álcool em gel .

· Não compartilhar roupas de cama, toalhas ou objetos de uso pessoal.

 

Vacinação

 

O Brasil mantém uma estratégia de vacinação contra a mpox focada em grupos de risco. Atualmente, a vacina está disponível para:

 

· Pessoas vivendo com HIV/aids (homens cisgêneros, travestis e mulheres transexuais) com 18 anos ou mais e com contagem de linfócitos T CD4 inferior a 200 células nos últimos seis meses.

· Profissionais de laboratório que trabalham diretamente com o vírus.

· Pessoas que tiveram contato direto com fluidos e secreções de pacientes suspeitos ou confirmados (pós-exposição) .

 

O Ministério da Saúde reforça que o Sistema Único de Saúde (SUS) está preparado para a identificação precoce e o manejo clínico adequado dos pacientes, e que segue monitorando a doença em conjunto com as vigilâncias estaduais .

FONTE:Kadoshwr 

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