Colômbia inaugura embaixada em Jerusalém e retoma parceria diplomática com Israel
Abertura da representação marca uma nova fase nas relações entre os dois países, com retomada do acordo de livre comércio e ampliação da cooperação em tecnologia, segurança e investimentos.
A Colômbia inaugurou, na quarta-feira (14), sua embaixada em Jerusalém, tornando-se o décimo país a manter uma representação diplomática na cidade, reivindicada por Israel como sua capital. A iniciativa simboliza uma mudança significativa na política externa colombiana, após o rompimento das relações entre os dois países durante o governo do ex-presidente Gustavo Petro.
A retomada dos laços diplomáticos foi conduzida pelo atual presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo em agosto de 2026. Além da abertura da embaixada, os governos formalizaram a recuperação do acordo de livre comércio, sinalizando uma nova etapa de aproximação bilateral.
A cerimônia contou com a participação do ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Omar Bula Escobar, e do chanceler israelense, Gideon Sa’ar. Durante o evento, Sa’ar colocou uma mezuzá na entrada do edifício e ressaltou a importância diplomática e histórica da decisão.
Segundo o ministro israelense, o número de embaixadas estrangeiras em Jerusalém dobrou desde que ele assumiu o cargo, passando de cinco para dez. Ele também afirmou que a instalação dessas representações expressa o reconhecimento da cidade como capital israelense.
Colômbia busca fortalecer cooperação com Israel
O chanceler colombiano declarou que a inauguração representa um passo importante para reconstruir as relações entre as nações, com perspectivas de avanços nas áreas de comércio, segurança, tecnologia e investimentos.
Durante a cerimônia, Omar Bula Escobar afirmou que os vínculos diplomáticos não deveriam ter sido interrompidos e classificou Israel como um parceiro estratégico para o país sul-americano.
A nova embaixada, chefiada pela embaixadora Tania Gilinski, também deverá contribuir para ampliar iniciativas conjuntas em inteligência artificial, inovação, segurança e transferência de tecnologia.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores colombiano, os países mantêm uma relação histórica de quase 70 anos, que agora deverá ganhar força com novos projetos e acordos bilaterais.
Rompimento ocorreu durante governo de Gustavo Petro
As relações diplomáticas entre Colômbia e Israel foram rompidas em maio de 2024, quando o então presidente Gustavo Petro anunciou a decisão em protesto contra as operações militares israelenses na Faixa de Gaza.
Na época, Petro criticou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, determinou o fechamento da embaixada colombiana em Tel Aviv e convocou o retorno do representante diplomático do país.
Israel condenou a medida e acusou o governo colombiano de adotar uma postura antissemita, além de argumentar que a decisão favorecia o Hamas.
Com a posse de Abelardo de la Espriella, em agosto de 2026, a Colômbia iniciou o processo de reaproximação. Na terça-feira (13), os dois governos oficializaram a retomada do acordo de livre comércio por meio de uma troca de notas diplomáticas.
Sa’ar comemorou o avanço das negociações e afirmou que, em apenas dois meses, os governos conseguiram reverter os efeitos negativos do período anterior e abrir novas possibilidades de cooperação.
Jerusalém amplia presença diplomática internacional
A decisão colombiana coloca o país ao lado de outras nações que mantêm embaixadas em Jerusalém, enquanto a maior parte das representações diplomáticas estrangeiras permanece em Tel Aviv.
O movimento ganhou força em 2018, quando os Estados Unidos transferiram sua embaixada para Jerusalém durante o primeiro mandato de Donald Trump. Guatemala, Honduras e Paraguai também estão entre os países que instalaram suas representações diplomáticas na cidade.
O status de Jerusalém continua sendo um dos pontos mais delicados do conflito entre israelenses e palestinos. Israel considera a cidade sua capital, enquanto os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como capital de um futuro Estado palestino.
A inauguração da embaixada colombiana provocou críticas da liderança palestina, que considera a iniciativa incompatível com o status jurídico internacional da cidade.
Para o governo israelense, por outro lado, a abertura representa mais um passo no esforço para ampliar o reconhecimento internacional de Jerusalém como capital do Estado de Israel.
FONTE: Kadoshwr com informações do Guiame e Reuters e Governo de Israel



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