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Fumaça de queimadas agrava poluição em Manaus, suspende aulas e mobiliza força-tarefa

Incêndios no Amazonas avançam além do esperado, ameaçam áreas preservadas da floresta e colocam comunidades em risco. Governo mobiliza 290 brigadistas e aeronaves para combater as chamas.

Fumaça de queimadas agrava poluição em Manaus, suspende aulas e mobiliza força-tarefa
Incêndios na Amazônia são agravados pelo El Niño. - Foto: Wordpress Es Brasil/Não informado

A cidade de Manaus enfrenta uma grave crise ambiental provocada pela fumaça das queimadas que atingem diferentes regiões do Amazonas. Diante da piora na qualidade do ar, as aulas da rede municipal foram suspensas, e a população recebeu orientações para utilizar máscaras e reduzir a exposição à poluição.

O avanço dos incêndios, intensificado pela estiagem e pelos efeitos do El Niño, preocupa as autoridades ambientais. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a situação é mais grave do que o previsto inicialmente, com focos de fogo identificados até mesmo em áreas preservadas da floresta amazônica.

Além dos danos à vegetação, a seca aumenta o risco para os animais silvestres e para comunidades isoladas que dependem dos rios para o transporte de alimentos e o deslocamento entre localidades.

Na manhã desta terça-feira (13), Manaus apresentou uma melhora discreta na qualidade do ar após chuvas atingirem alguns bairros durante a madrugada. Apesar disso, a capital amazonense continuou liderando o ranking de poluição atmosférica no Brasil, conforme dados da plataforma internacional IQAir.

De acordo com a prefeitura, a fumaça que cobre a cidade nas últimas semanas tem origem principalmente em queimadas registradas no leste do Amazonas e em áreas próximas à capital.

Governo mobiliza equipes e aeronaves

Manaus está entre os 36 municípios amazonenses que tiveram a situação de emergência reconhecida pelo governo federal em razão dos incêndios. Para combater as chamas, uma força-tarefa começou a atuar nesta semana com 290 brigadistas, apoiados por 11 aeronaves, entre aviões e helicópteros.

Dados do Painel do Fogo, ligado ao Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia, apontam que o estado registrou 1.380 focos de incêndio nos dez primeiros dias do mês. O número representa um aumento de 271% em comparação com o mesmo período de 2025.

Entre as áreas prioritárias das operações estão os municípios de Autazes e Itacoatiara. Em Parintins, localizada a 369 quilômetros de Manaus, a Força Aérea Brasileira (FAB) enviou um avião cargueiro KC-390, capaz de despejar até 12 mil litros de água em uma única passagem.

Também estão sendo utilizados aviões Air Tractor, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para lançar água sobre os locais atingidos. Em Itacoatiara, uma estrutura de apoio às operações aéreas está sendo organizada para reforçar o combate ao fogo.

Incêndios atingem áreas preservadas

Os primeiros registros dos efeitos da fumaça sobre Manaus ocorreram em 8 de setembro, quando o acúmulo de fuligem na atmosfera começou a interferir na rotina dos moradores. No dia seguinte, o governo estadual publicou um decreto proibindo o uso do fogo em todo o Amazonas.

A dimensão dos incêndios chamou a atenção dos ministros do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, e da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, durante um sobrevoo realizado no domingo. A poluição chegou a prejudicar a visibilidade e atrasou a decolagem da comitiva.

Capobianco afirmou que encontrou uma situação mais preocupante do que imaginava, com diversos focos de incêndio em áreas de floresta preservada. Segundo ele, há indícios de que parte dos incêndios tenha sido provocada intencionalmente para degradar o bioma e facilitar o desmatamento futuro.

A Polícia Civil do Amazonas investiga a autoria dos incêndios criminosos. Somente em setembro, foram registrados 69 boletins de ocorrência relacionados a crimes ambientais no estado.

O ministro também informou que as equipes e os equipamentos permanecerão no Amazonas até que sejam controlados os focos de incêndio responsáveis pelos danos à população.

El Niño e estiagem agravam a situação

A combinação de temperaturas elevadas, redução das chuvas e prolongamento da estiagem tem contribuído para a intensificação das queimadas na Região Norte. Os efeitos do El Niño agravam esse cenário, favorecendo períodos de seca mais severos.

O fenômeno climático altera a circulação de umidade proveniente do Oceano Atlântico, reduzindo a ocorrência de chuvas em determinadas áreas da Amazônia. Com a vegetação cada vez mais seca, folhas, galhos e outros materiais orgânicos tornam-se combustível para a propagação do fogo.

A falta de chuva também dificulta a dispersão da poluição atmosférica, aumentando a concentração de fumaça nas cidades. Além do Amazonas, estados como Roraima e Acre enfrentam condições preocupantes relacionadas à seca.

As operações de combate aos incêndios devem continuar ao longo desta semana.

Qualidade do ar apresenta melhora, mas exige cuidados

Após cinco dias de condições desfavoráveis, Manaus registrou uma redução nos níveis de poluição na manhã desta terça-feira (13). Segundo a IQAir, o índice de qualidade do ar chegou a 92, classificação considerada moderada pela plataforma. Mesmo com a melhora, a capital permaneceu como a cidade com o ar mais poluído do país naquele momento.

A concentração de partículas finas PM2.5 atingiu 31 microgramas por metro cúbico (µg/m³), aproximadamente 6,3 vezes o valor de referência anual estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para esse poluente.

Na segunda-feira (12), por volta das 6h, o índice havia chegado a 195, considerado insalubre, com concentração de PM2.5 de 123 µg/m³.

Para diminuir os riscos à saúde, a prefeitura manteve a suspensão das aulas da rede municipal nesta terça-feira, evitando que estudantes e profissionais da educação ficassem expostos à fumaça.

O governo federal também enviou alertas por WhatsApp aos moradores das áreas afetadas. As mensagens destacaram os riscos respiratórios associados à poluição e recomendaram o uso de máscaras adequadas, além da vedação de portas, janelas e outros pontos de entrada de fumaça nos ambientes.

Pessoas que apresentarem sintomas devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou o serviço de emergência do Sistema Único de Saúde (SUS) mais próximo.

FONTE: Kadoshwr Com informações da Comunhão e Estadão Conteúdo – Geral, Juliana Prado.

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