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“A fé também tem que definir como eu voto”: líderes cristãos orientam eleitores em 2026

Pastores destacam responsabilidade cívica, princípios bíblicos e soberania de Deus na escolha de candidatos; mais de 158 milhões de brasileiros votam em 4 de outubro.

“A fé também tem que definir como eu voto”: líderes cristãos orientam eleitores em 2026
Eleitores irão às urnas no dia 4 de outubro para o primeiro turno das Eleições 2026. (Foto: Luiz Roberto/TSE)

Líderes evangélicos orientam cristãos sobre critérios de voto a poucos dias das Eleições 2026

 

 

Faltando poucos dias para o primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro, quando mais de 158,7 milhões de eleitores brasileiros poderão comparecer às urnas, pastores e lideranças cristãs têm utilizado as redes sociais para promover reflexões sobre o cenário político nacional e orientar os fiéis quanto aos critérios que devem nortear o voto. Neste pleito, o eleitor definirá seis cargos: deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente da República.

 

Entre os assuntos discutidos pelos líderes religiosos estão a participação responsável do cristão no processo eleitoral, a análise das propostas políticas sob a ótica das Escrituras, o alerta contra a transformação de figuras políticas em símbolos absolutos da fé e a necessidade de intercessão pela nação.

 

'A fé precisa orientar também a minha escolha nas urnas'

 

O pastor Filipe Duque Estrada, conhecido como pastor Lipão, declarou que o cristão não deve vincular sua identidade a partidos ou correntes políticas, mas também não pode utilizar a fé como pretexto para se omitir das decisões que afetam a sociedade.

 

"Eu não sou nem de esquerda, nem de direita. Eu sou de Jesus. Eles me fazem lembrar a igreja de Corinto, que dizia: 'Eu sou de Apolo, eu sou de Paulo', e alguns diziam, inclusive: 'Eu sou de Cristo'."

 

De acordo com o líder da Igreja Onda Dura, ainda que a Bíblia não apresente uma orientação partidária específica, ela fornece princípios capazes de direcionar as escolhas políticas dos cristãos.

 

"É verdade que a Bíblia não entrega uma visão partidária. Jesus não cabe em nenhum partido. Nenhum político representa completamente Jesus. Mas a Bíblia nos entrega uma cosmovisão."

 

O pastor mencionou, entre esses princípios, a dignidade da vida, a liberdade, a justiça, o trabalho e a atenção aos vulneráveis.

 

"Portanto, a fé não pode apenas definir como eu oro; ela também tem que definir como eu voto. O cristão não deve entregar sua consciência a um partido, mas também não pode fingir que todas as ideias políticas são moralmente iguais."

 

E arrematou: "Deus não vai te dar o número de um candidato, mas Ele te dá princípios para você poder definir o seu voto."

Caráter, competência e cosmovisão cristã

 

O pastor Teo Hayashi, líder da Zion Church, também apresentou os critérios que considera relevantes para a escolha de candidatos.

 

"Para a escolha de candidato, estou olhando três questões: primeiro, você tem que olhar o caráter; segundo, a competência; e, terceiro, o alinhamento incondicional à cosmovisão cristã."

 

Em sua publicação, Hayashi chegou a apresentar suas escolhas pessoais para diferentes cargos. Ao orientar os cristãos, porém, ressaltou que pode haver divergências entre os eleitores e defendeu que cada um avalie seu voto de acordo com suas convicções e os princípios bíblicos.

 

"Talvez você venha a discordar de um ou de outro, ou até concordar com todos. Desde que você esteja votando de acordo com a Palavra de Deus e com aquilo que os princípios da Palavra instruem, eu também estou aí junto contigo."

 

Para o pastor, a participação nas eleições também faz parte dessa responsabilidade.

 

"Não votar não é nenhuma opção para o cristão, especialmente no contexto do momento que o país está vivendo."

 

'Não há motivo para desespero'

 

O pastor Douglas Gonçalves, fundador do JesusCopy, ressaltou a importância de o cristão votar com discernimento, oração e reflexão, sem encarar o resultado eleitoral como se estivesse acima da soberania divina.

 

"Nós precisamos votar. 'Meu Deus, se não entrar o fulano, acabou o mundo.' Tem alguém que está no trono, governando todas as coisas, que põe e tira governantes. Ele está no trono."

 

Douglas orientou os cristãos a avaliarem suas escolhas à luz das Escrituras.

 

"[Precisamos exercer] uma posição de sabedoria, orar sobre isso, interceder, pensar, raciocinar, olhar para as Escrituras e perguntar qual seria a melhor decisão. E ir, de forma muito responsável, e votar."

 

E enfatizou: "Não tem desespero. ... Tem alguém que é dono de todas as nações."

 

Na mesma conversa, o pastor Fábio Coelho chamou a atenção para outro aspecto da relação entre Igreja e política: o conteúdo dos púlpitos.

 

Ao comentar a crítica do apresentador Rogério Vilela, do podcast Inteligência Ltda., sobre pastores indicarem candidatos nas igrejas, Fábio afirmou que a principal missão pastoral é o discipulado e que o Evangelho deve permanecer no centro da pregação.

 

"Um pastor, ou um grupo de pastores, tem uma função, que é discipular as ovelhas de Jesus. E qual é a mensagem central dos púlpitos da igreja evangélica? O nome já diz: igreja evangélica ou igreja cristã. É o Evangelho."

 

"Então, o Evangelho precisa ser a mensagem central do púlpito", acrescentou.

 

'Compete a nós governar pela oração'

 

A pregadora Valnice Milhomens, por sua vez, destacou a oração como responsabilidade da Igreja diante do cenário nacional.

 

"Nós, como Igreja de Cristo nesta nação, profetas, temos que nos levantar, porque compete a nós governar pela oração."

 

Ao abordar os Três Poderes, Valnice relacionou a autoridade exercida por governantes e instituições à soberania de Deus.

 

"Yahweh é o nosso juiz. [...] Ele é o supremo juiz, e toda justiça Dele procede. Todo juiz da Terra deveria julgar de acordo com o supremo juiz e a Sua reta justiça."

 

Sobre o Legislativo, declarou: "Yahweh, o Deus soberano, é o legislador supremo". Segundo ela, as leis "federais, estaduais e municipais" devem ser de acordo com os princípios estabelecidos por Deus.

 

Por fim, ao falar sobre o Executivo, afirmou:

 

"Yahweh é o nosso Rei. [...] Ele é o Rei dos reis, Ele é o Senhor dos senhores. Todo rei, todo presidente, todo primeiro-ministro, não importa qual seja o sistema de governo, deve se sujeitar Àquele que tem autoridade suprema."

 

E concluiu: "Todo governo deve se alinhar ao supremo Rei, Senhor do Universo."

FONTE: Kadoshwr com informações do Guiame

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