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5. Pesquisa da Arca de Noé avança e encontra barreira subterrânea na Turquia

Equipe investiga se camada encontrada entre 4 e 5 metros de profundidade pode ser madeira fossilizada ou altamente mineralizada.

5. Pesquisa da Arca de Noé avança e encontra barreira subterrânea na Turquia

Formação de Durupınar, possível local da Arca de Noé; em destaque, representação de madeira petrificada, material possivelmente atingido pela perfuração. (Captura de tela: YouTube/Noah’s Ark Scans)

 

Uma recente fase de escavações na formação rochosa de Durupınar, situada no leste da Turquia, revelou um resultado que pode contribuir para as pesquisas sobre onde estaria a suposta Arca de Noé.

 

Durante trabalhos de perfuração no interior da estrutura com formato semelhante a um barco, a broca utilizada atingiu, a uma profundidade entre 4 e 5 metros, uma camada de resistência excepcional, o que provocou sua ruptura.

 

De acordo com informações divulgadas pelo GlobeNewswire, os pesquisadores trabalham com a possibilidade de que o material seja madeira petrificada ou com alto grau de mineralização — teoria que será examinada por meio de análises independentes em laboratório.

 

"Independentemente do que a perfuração tenha encontrado, o material era mais resistente que o calcário — duro o suficiente para romper a broca", declarou Andrew Jones, criador da Noah's Ark Scans e vice-presidente do projeto de pesquisa.

 

O achado aconteceu durante a mais recente campanha de perfurações profundas na formação de Durupınar, situada na província de Ağrı, no leste turco, nas proximidades do Monte Ararat.

 

Com cerca de 157 metros de extensão, o local apresenta um formato que lembra o casco de uma embarcação e vem sendo estudado há décadas por pesquisadores que cogitam que ele possa abrigar vestígios da Arca mencionada no livro de Gênesis.

 

A estrutura foi localizada em imagens aéreas em 1959 pelo capitão do Exército turco İlhan Durupınar.

 

Material supera a dureza do calcário

 

Conforme a equipe, o sistema de perfuração já havia ultrapassado as camadas superiores quando encontrou uma resistência fora do comum.

 

Nesta etapa, a perfuração é feita a seco, sem uso de fluidos, por meio de impacto mecânico. Esse tipo de equipamento é capaz de atravessar diversos materiais, como calcário e outros tipos de rocha.

 

Entretanto, ao alcançar a camada situada entre 4 e 5 metros de profundidade, a broca não conseguiu prosseguir e acabou se rompendo.

 

"Madeira petrificada ou altamente mineralizada são possibilidades que pretendemos investigar por meio de testes laboratoriais independentes", esclareceu Jones.

 

A equipe destaca que a natureza do material ainda não foi identificada. Dessa forma, apenas as análises poderão indicar se a camada tem relação com madeira mineralizada ou se apresenta outra origem geológica.

 

A possibilidade chamou atenção porque a madeira petrificada passa por um processo no qual o material orgânico é gradativamente substituído por minerais, o que pode conferir elevada dureza.

 

Presença de material orgânico

 

As perfurações também possibilitaram a retirada de amostras de diferentes profundidades para análise.

 

Segundo os pesquisadores, foram obtidas sequências de solo e sedimentos, além de camadas com grande quantidade de material orgânico e cavidades subterrâneas. Algumas perfurações alcançaram cerca de 18 metros de profundidade.

 

Jones afirmou que a equipe acredita que parte do material orgânico encontrado possa estar relacionada a restos de madeira deteriorada.

 

"Até o momento recuperamos camadas ricas em material orgânico que acreditamos poderem ser restos deteriorados da parte superior da Arca", declarou.

 

Essa interpretação, no entanto, ainda necessita de comprovação científica.

 

De acordo com os pesquisadores, as perfurações feitas dentro da formação até agora também não teriam localizado uma camada contínua de calcário sólido ou rocha-mãe — algo que a equipe considera relevante para avaliar a hipótese de que Durupınar seja apenas uma formação geológica natural.

 

Cavidades sob a formação

 

Outro resultado relatado durante os trabalhos foi a identificação de diversas cavidades subterrâneas. Uma delas estaria preenchida por lama e água.

 

Esses espaços despertam interesse porque levantamentos anteriores realizados com radar de penetração no solo (GPR) apontaram anomalias lineares, interseções em ângulos e áreas alongadas vazias abaixo da superfície.

 

O projeto pretende aprofundar a investigação dessas estruturas.

 

As pesquisas anteriores utilizaram tecnologias como GPR, tomografia de resistividade elétrica (ERT) e LiDAR, além de análises químicas e modelagem tridimensional do terreno.

 

Em estudos anteriores, amostras de solo coletadas dentro da formação também apresentaram, segundo a Noah's Ark Scans, quase três vezes mais material orgânico do que amostras obtidas fora dela.

 

Pesquisa autorizada na Turquia

 

A atual investigação é conduzida pelo professor Cenker Atila, do Departamento de Arqueologia da Universidade Sivas Cumhuriyet, em cooperação com a Noah's Ark Scans.

 

O projeto recebeu autorização oficial das autoridades turcas para realizar investigações geológicas e arqueológicas na região.

 

A campanha de 2026 reúne arqueólogos, geólogos, cientistas do solo e especialistas técnicos de diferentes países.

 

Para Andrew Jones, as novas perfurações representam uma mudança importante na investigação porque permitem passar das imagens obtidas por sensoriamento para a coleta de material físico.

 

"Este é um grande avanço em nossa capacidade de investigar o que existe sob este local extraordinário", afirmou. Segundo ele, amostras estão sendo reunidas para análises laboratoriais e novos trabalhos de campo estão previstos para o próximo ano.

 

Arca de Noé?

 

Apesar dos resultados considerados promissores pela equipe, não há comprovação científica de que a formação de Durupınar seja a Arca de Noé.

 

A origem da estrutura permanece objeto de debate, e geólogos já defenderam que suas características podem ser explicadas por processos naturais.

 

Os resultados mais recentes divulgados pela Noah's Ark Scans são preliminares, ainda não foram publicados em periódico científico nem submetidos a revisão por pares.

 

Os pesquisadores aguardam agora os testes laboratoriais das amostras retiradas durante as perfurações. Essas análises poderão determinar a composição do material orgânico e, principalmente, esclarecer o que existe na camada extremamente resistente que provocou a quebra da broca.

 

Para a equipe, descobrir se esse material é realmente madeira petrificada ou altamente mineralizada poderá representar uma das respostas mais importantes obtidas até agora na investigação da formação de Durupınar.

FONTE: com informações do Guiame e The Thebrief Globnewsware

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