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Igreja e consciência política: fé, valores e decisões na sociedade contemporânea

Entenda de que modo a igreja influencia a formação de valores e posicionamentos políticos

Igreja e consciência política: fé, valores e decisões na sociedade contemporânea

(Foto divulgação)


A igreja, seja em seu sentido mais amplo, seja nas igrejas locais, ocupa um lugar de influência na vida da sociedade. Ao reunir pessoas de diferentes idades, classes sociais e níveis de instrução, ela tem a responsabilidade de orientar valores fundamentais que moldam a conduta humana na comunidade, inclusive nas decisões políticas.

 

Em diversos momentos históricos, a igreja assumiu três posturas diante da política. A primeira é a do distanciamento: alguns defendem que fé e política não se misturam e, por isso, evitam o tema — atitude muitas vezes vista como omissão. No século XVI, os anabatistas pregavam uma separação total entre a igreja e o poder político.

 

A segunda postura é a da fusão ou do alinhamento partidário. Zwinglio, na Suíça, defendia uma quase identificação entre religião e poder político. Nas últimas décadas, comunidades de fé têm apoiado claramente partidos, ideologias e candidaturas, chegando a indicar membros para disputas eleitorais. Em alguns casos, líderes afirmam que tais candidatos foram “escolhidos por Deus” e que votar neles seria uma questão de obediência.

 

Essa posição traz complicações. A liberdade de escolha não pode ser eliminada sob nenhuma justificativa; as igrejas são formadas por pessoas que também divergem em preferências políticas e partidárias, e isso precisa ser respeitado. Além disso, candidaturas apoiadas por igrejas muitas vezes fracassam, seja pela derrota nas urnas, seja por mandatos desastrosos do ponto de vista bíblico.

 

Existe uma terceira via, que considero mais adequada para o cristão e para as igrejas. A política não pode ser ignorada, pois afeta a vida de todos de alguma forma. Logo, a alienação não se sustenta. Em sentido amplo, a política está presente na história humana desde as tribos primitivas: todo grupo precisa de alguma liderança, ainda que informal. Timothy Keller afirmava que a igreja, como instituição, não deve endossar candidaturas ou plataformas partidárias; o cristão, porém, como indivíduo, deve e precisa se engajar na política.

 

Na Bíblia, patriarcas, chefes de tribos e clãs, Moisés, Josué, os juízes e os reis de Israel exerceram funções de liderança política. Jesus não tomou partido na orientação política da Palestina de sua época: não seguiu os saduceus, que favoreciam Roma por conveniência, nem se aliou aos zelotes, que combatiam a opressão do império. Cristo manteve total independência, condenando o erro onde ele estivesse e reconhecendo o bem onde ele aparecesse. Não se omitiu diante da injustiça, da hipocrisia e do pecado, e pregou com firmeza os valores mais elevados do Reino de Deus.

 

Paulo, seguindo o exemplo de Cristo, denunciou o erro sem levar em conta sua origem. Foi corajoso na defesa dos princípios do evangelho e não temeu desagradar a ninguém. Manteve até o fim uma atitude de completa independência. Essa também deve ser a nossa postura.

FONTE: Kadoshwr com informações da Comunhão por Joarês Mendes

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