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Congresso dos EUA pressiona Paquistão por jovem cristã desaparecida

Legisladores norte-americanos pedem que autoridades paquistanesas garantam a segurança e o direito de escolha de Neha Faqir, de 18 anos, sumida desde março e supostamente convertida ao Islã.

Congresso dos EUA pressiona Paquistão por jovem cristã desaparecida

Onze parlamentares norte-americanos solicitaram ao governo paquistanês medidas para garantir a segurança e a liberdade de decisão de Neha Faqir, de 18 anos -Foto: Reprodução


O caso de uma adolescente cristã desaparecida no Paquistão chegou ao Legislativo dos Estados Unidos. Onze congressistas americanos enviaram um pedido ao governo paquistanês para que sejam adotadas providências que assegurem a integridade e a liberdade de decisão de Neha Faqir, 18 anos, que não é vista desde março e teria sido convertida ao islamismo depois de ser retirada de sua cidade.

 

Neha deixou a residência da família em 24 de março para frequentar um curso de costura em Kot Radha Kishan, na província de Punjab. Diante da ausência de retorno, os parentes recorreram à polícia e formalizaram uma denúncia. No registro, apontaram como responsáveis pelo centro onde a jovem estudava o líder islâmico Muhammad Sajid e suas duas esposas.

 

Conforme relatos dos familiares, as investigações não evoluíram no ritmo esperado. Os pais também teriam sido alvo de pressão e intimidação para retirar a denúncia.

 

O cenário mudou quando a Christian Solidarity International (CSI), entidade dedicada à defesa da liberdade religiosa, começou a oferecer apoio jurídico à família. No decorrer das apurações, um advogado vinculado à organização localizou Neha em um seminário islâmico em Lahore. De acordo com as informações do processo, ela teria aderido ao islamismo poucos dias após o desaparecimento.

 

Os familiares, no entanto, contestam a veracidade da conversão. Segundo eles, não havia nenhum sinal anterior de que a jovem pretendesse deixar a fé cristã.

 

Audiência cercada de restrições

 

Buscando esclarecer o caso, o advogado da CSI protocolou um pedido de habeas corpus no Tribunal Superior de Lahore. A Justiça determinou que Neha fosse novamente levada a uma audiência, realizada em 9 de junho.

 

Foi nessa data que os familiares conseguiram vê-la pela primeira vez desde o desaparecimento. A jovem vestia uma burca e estava acompanhada por uma mulher muçulmana e representantes islâmicos.

 

De acordo com a CSI, a mãe e a irmã tentaram dialogar com Neha, mas foram impedidas. A família também não teria obtido permissão para conversar com ela de forma reservada durante a audiência. O pedido para que a jovem voltasse para casa foi negado pelo tribunal. Tais circunstâncias levaram a entidade a questionar se Neha teve condições de expressar sua vontade de maneira livre e sem interferência externa.

 

Pressão internacional

 

A inquietação ultrapassou as fronteiras paquistanesas. Em 20 de agosto, 11 membros da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos enviaram uma carta ao ministro da Justiça do Paquistão, Azam Nazeer Tarar.

 

No documento, os congressistas afirmaram que os fatos ligados ao desaparecimento geram dúvidas sobre as circunstâncias em que Neha deixou sua família e sobre sua capacidade de declarar seus desejos de forma independente. Os parlamentares também ressaltaram como particularmente preocupante o fato de os familiares não terem conseguido conversar em particular com a jovem.

 

A carta pede que o governo paquistanês tome medidas para preservar a integridade física e o bem-estar de Neha. Entre as exigências estão o acesso reservado a um advogado independente e a possibilidade de comunicação privada com seus familiares, permitindo que ela manifeste sua vontade sem intimidação ou influência indevida. Assinaram o documento Chris Smith, James P. McGovern, French Hill, Gus Bilirakis, Andy Harris, Maria Elvira Salazar, Riley Moore, Randy Weber, Michael Cloud, Brad Sherman e Blake Moore.

 

Um padrão de violência

 

Neha é a terceira de quatro filhos de um casal cristão que trabalha em um forno de tijolos. Cerca de dois meses antes de desaparecer, ela havia sido matriculada pelos pais em um centro de costura administrado por uma família muçulmana. A intenção era que aprendesse uma profissão e conquistasse maior autonomia financeira.

 

O caso se insere em um problema mais amplo enfrentado por cristãos e outras minorias religiosas no Paquistão. Organizações de defesa da liberdade religiosa denunciam episódios recorrentes envolvendo sequestro de meninas, conversões forçadas e casamentos impostos.

 

Um levantamento da Jubilee Campaign apresentado ao Parlamento Europeu em julho contabilizou 210 casos registrados entre 2019 e 2025. O relatório "Meninas Roubadas" reúne ocorrências envolvendo sequestro, conversão religiosa forçada, casamento infantil e violência sexual contra meninas cristãs e integrantes de outras minorias.

 

A situação também aparece no monitoramento da Missão Portas Abertas. Na Lista Mundial da Perseguição 2026, o Paquistão ocupa a oitava posição entre os países onde cristãos enfrentam maiores níveis de hostilidade e perseguição por causa da fé.

 

No caso de Neha, a pressão exercida por parlamentares norte-americanos acrescenta uma dimensão internacional à disputa e coloca novamente em evidência a necessidade de garantir que vítimas de possíveis conversões e casamentos forçados tenham condições reais de expressar sua própria vontade.

FONTE: Kadoshwr com informações da Comunhão por Patrícia Scott 

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