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A fé que surgiu das águas: como Bíblias sobreviventes ajudaram a plantar o cristianismo na Coreia do Norte

A história do missionário galês Robert Jermain Thomas, morto em Pyongyang em 1866, mostra como poucos exemplares das Escrituras resistiram ao naufrágio e deram origem a comunidades cristãs no país mais isolado do mundo.

A fé que surgiu das águas: como Bíblias sobreviventes ajudaram a plantar o cristianismo na Coreia do Norte

Imagem ilustrativa. (Foto: Portas Abertas Brasil).

 

Há mais de 160 anos, Robert Jermain Thomas, um jovem galês de 27 anos, decidiu embarcar para levar Bíblias em chinês aos coreanos, segundo relatos da Missão Portas Abertas. Naquela época, a Coreia era chamada pelos ocidentais de “Reino Eremita” por causa do seu isolamento.

 

Em setembro de 1866, ele subiu no General Sherman, um navio mercante americano, com caixas de Bíblias, navegando pelo rio Taedong em direção a Pyongyang, hoje capital da Coreia do Norte. A viagem era muito perigosa: o comércio com estrangeiros era proibido, havia forte rejeição à presença de forasteiros e milhares de cristãos coreanos já haviam sido executados em perseguições religiosas.

 

Quando a embarcação se aproximou da costa de Pyongyang, as autoridades ordenaram que voltasse, mas a ordem não foi obedecida. O navio encalhou e foi incendiado por soldados coreanos. A tripulação pulou na água e nadou até a margem, onde todos foram mortos pelos militares.

 

Segundo relatos preservados entre cristãos coreanos, Robert chegou à margem segurando um dos últimos exemplares das Bíblias. Ele tentou entregá-lo a um soldado que se aproximava, mas acabou morto pelo militar.

 

Bíblias que resistiram ao naufrágio

 

Parecia que a missão havia fracassado. No entanto, algumas Bíblias sobreviveram ao naufrágio, chegaram à terra e começaram a circular entre os moradores da região. Uma delas ficou com o soldado que matou Robert. Com o tempo, a mensagem criou raízes em seu coração, e ele se tornou um dos primeiros cristãos de Pyongyang.

 

Páginas que viraram parede

 

Outra Bíblia teve um destino ainda mais improvável. Um porteiro usou as páginas das Escrituras como papel de parede, cobrindo toda a casa. A princípio, não havia intenção de criar um local de culto, mas apenas de aproveitar o papel disponível. Com o tempo, porém, ele começou a ler o que estava colado diante de seus olhos e passou a crer no Deus revelado naquelas páginas.

 

Muitas pessoas que visitaram a casa também foram impactadas e se converteram. Em pouco tempo, o lugar se tornou uma congregação, onde coreanos se reuniam para orar e adorar. De forma inesperada, páginas coladas na parede ajudaram a dar origem a uma das primeiras comunidades cristãs da região.

 

O avivamento de Pyongyang

 

Anos depois, em 1903, um avivamento começou em Wonsan. O movimento chegou a Pyongyang em 1907, quando cerca de 1.500 pessoas participaram de duas semanas de estudo bíblico. Naquele período, dezenas de milhares de coreanos entregaram a vida a Cristo. Pyongyang se tornou um dos centros do cristianismo na Ásia e ganhou o apelido de “Jerusalém do Oriente”.

 

A transformação foi tão profunda que os mercados ficavam vazios quando o dia de feira coincidia com o descanso dos cristãos. Comerciantes e compradores estavam nas igrejas.

 

Depois da divisão da península coreana e da ascensão do regime norte-coreano, líderes cristãos foram executados, igrejas deixaram de existir publicamente e muitos cristãos foram deportados para regiões remotas ou enviados a campos de trabalho. Hoje, a Bíblia é um livro proibido na Coreia do Norte. Mesmo assim, a Palavra de Deus continua circulando.

 

Muitos cristãos norte-coreanos mantêm a fé em segredo por segurança. Alguns guardam uma Bíblia escondida; outros conhecem apenas alguns trechos transmitidos dentro da própria família. Relatos compartilhados por parceiros mostram que pessoas continuam chegando à fé cristã. Mais de um século e meio depois de uma Bíblia alcançar as margens de Pyongyang, Deus segue usando sua Palavra para transformar vidas, afirma a Portas Abertas.

FONTE: Kadoshwr com informações do Guiame e Portas Abertas Brasil 

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