Diante do mar, ele escreve esperança na areia: a missão silenciosa de um trabalhador de Itapema
Natural do Amazonas, Afonso Cordeiro usa um pedaço de madeira para registrar mensagens de fé e superação na orla; apesar de apagadas pelas ondas, palavras já viralizaram na internet.
Afonso Cordeiro escreve mensagens de fé na orla de Itapema. - Foto: Reprodução redes sociais
Os frequentadores da orla de Itapema, no Litoral Norte de Santa Catarina, têm se deparado com um espetáculo que vai além da paisagem costeira. Entre a espuma do mar e a faixa de areia, inscrições carregadas de otimismo, espiritualidade e acolhimento têm roubado a cena, despertando a curiosidade de veranistas e residentes. Quem está por trás dessa intervenção é Afonso Cordeiro, 58 anos, funcionário da limpeza pública local.
Há cerca de seis meses, Afonso trocou Manaus (AM) pelas praias catarinenses. Pouco tempo depois de se instalar, conseguiu o emprego atual, onde sua rotina é varrer folhas e detritos. Foi durante o expediente, porém, que ele enxergou no imenso “quadro” de grãos uma oportunidade ímpar de tocar o próximo. Munido de um simples galho ou pedaço de madeira, ele desenha letras garrafais na superfície arenosa.
O resultado é um corredor de mensagens que pode ser lido tanto por quem passeia a pé quanto pelos moradores dos edifícios que margeiam a praia. As anotações transitam entre citações bíblicas, agradecimentos e palavras de estímulo. O gesto, 100% espontâneo e sem qualquer apelo financeiro, carrega uma efemeridade poética: o rastro é varrido pelos pés dos banhistas, pelo vento ou pelo avanço das ondas.
Para Afonso, no entanto, o apagamento das letras não diminui a potência do recado. Pelo contrário, a cada maré que lava a areia, ele vislumbra uma nova chance de semear conforto. "Enquanto eu puder levar um pouco de luz e uma palavra boa para alguém, não vou parar", afirma o trabalhador.
A comoção gerada por sua arte ultrapassou as barreiras geográficas depois que frases como “Bom dia, Deus” e “Ele vive” ganharam as redes sociais, fazendo sua história chegar a milhares de pessoas. O episódio voltou a ganhar destaque neste mês de agosto, comprovando como atitudes singelas podem ressignificar um espaço cotidiano.
Mais do que rabiscos passageiros, as marcas deixadas por Afonso na praia representam um exercício diário de persistência e generosidade. A areia se renova a cada instante, e ele, a cada amanhecer, renova a aposta de que a esperança, diferentemente das letras, pode ficar guardada na memória de quem lê.
FONTE: Kadoshwr com informações da Comunhão por Cristiano Stefenoni



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