Migração em massa e expansão religiosa: os dois fenômenos que reconfiguram a Espanha em 2026
Imigrantes tentando entrar em Celta na quinta-feira (30). (Foto: Reprodução/ YouTube/CNN Brasil).
Travessia histórica de 49 mil imigrantes e crescimento demográfico muçulmano acendem debate sobre segurança, integração e radicalismo no país.
Uma onda migratória sem precedentes atingiu o território espanhol de Ceuta, no norte da África, na última quinta-feira (30). Dados do Ministério do Interior da Espanha, divulgados na terça (31), indicam que cerca de 49 mil pessoas procedentes do Marrocos transpassaram as fronteiras terrestres e marítimas do enclave em apenas 24 horas. O saldo trágico da investida contabiliza 34 mortos.
Registros compartilhados nas redes sociais flagraram centenas de indivíduos cruzando o mar a nado e rompendo barreiras físicas na divisa seca, correndo em direção à cidade. Diante da pressão migratória, o governo espanhol acionou tropas de reforço e intensificou o esquema de vigilância local. Ceuta e a vizinha Melilla, outra possessão espanhola no continente africano, são historicamente portas de entrada para imigrantes que buscam chegar ao solo europeu.
Mudança no perfil demográfico
Paralelamente ao caos na fronteira, o país testemunha uma rápida transformação sociocultural. Segundo o relatório "Demografia do Islã na Espanha" (Observatório CEU CEFAS), a comunidade muçulmana já ultrapassa 2,5 milhões de pessoas, equivalendo a 5% da população total. Desse contingente, aproximadamente 1,79 milhão são imigrantes de primeira geração, enquanto 680 mil já nasceram em solo espanhol, com ao menos um progenitor de fé islâmica.
A maioria desses fiéis é oriunda do Marrocos, Paquistão, Senegal, Argélia, Mali, Grécia e Bangladesh, e estão majoritariamente concentrados na Catalunha, Andaluzia e Comunidade Valenciana. Em Ceuta, a influência é ainda mais evidente: entre os 84 mil moradores, de 40% a 50% professam o Islã, sendo majoritariamente de origem marroquina, enquanto o restante é composto sobretudo por cristãos espanhóis, além de minorias judaicas e hindus.
O estudo revela ainda que 11% das crianças nascidas na Espanha em 2024 têm pelo menos um genitor muçulmano, evidenciando a presença crescente da religião entre as novas gerações — fenômeno impulsionado pela maior taxa de natalidade entre as mulheres islâmicas em comparação às espanholas e demais imigrantes não muçulmanas.
Infraestrutura religiosa e radicalismo
Atualmente, o país conta com 1.766 mesquitas, e há municípios, como Salt, onde esses templos já superam o número de igrejas católicas. A demanda por educadores religiosos, aulas de Islã nas escolas, cardápios halal e uso do hijab também está em franca expansão, conforme aponta o Libertad Digital.
No entanto, o avanço demográfico alimenta o temor com o extremismo. Em 2024, as forças de segurança espanholas efetuaram 81 prisões ligadas ao radicalismo islâmico — o maior índice desde 2004. Em análise prévia à Gazeta do Povo, o historiador Pierre Vermeren, da Universidade Sorbonne, advertiu que a estratégia atual dos fundamentalistas não se baseia em confronto armado direto, mas na ocupação silenciosa. "Eles visam conquistar a Europa por meio do povoamento e da fertilidade, atuando em escolas, bairros, famílias e mesquitas para estabelecer bases sólidas", afirmou, acrescentando que a conversão de cristãos segue sendo um objetivo prioritário nesse processo de infiltração social.
FONTE: Kadoshwr com informações do Guiame e CNN Brasil e Libertad Digital



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