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Com oferta apertada, embarques de café caem 15,7% na safra 2025/26, mas receita bilionária mantém 2º melhor resultado da série

Publicada em: 16/07/2026 17:22 -

Exportações de café do Brasil caem 15,7% na safra 2025. - Foto: Portal ES Brasil/Divulgação

 

Preços históricos e dólar valorizado amenizam tombo no volume; tarifaço americano e gargalos nos portos derrubam participação dos EUA e elevam Alemanha ao topo do ranking de compradores.

 

Dados consolidados divulgados nesta quarta-feira (15) pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que o país embarcou 38,462 milhões de sacas de 60 kg no ciclo 2025/26 (de julho de 2025 a junho de 2026), volume 15,7% menor que o da temporada anterior. Apesar da retração, a arrecadação cambial somou US$ 14,595 bilhões – queda de apenas 1% frente a 2024/25, o que confirma o segundo maior faturamento da história, atrás somente do recorde do último ciclo. O desempenho financeiro foi sustentado pelos patamares elevados das cotações internacionais verificados entre setembro de 2025 e janeiro de 2026.

 

No fechamento do período, apenas em junho, as exportações atingiram 3,060 milhões de sacas, com alta de 16,9% sobre o mesmo mês do ano anterior, embora a receita tenha caído 6%, para US$ 972,8 milhões. No acumulado do primeiro semestre de 2026, os embarques somaram 17,831 milhões de sacas (-8,3%), gerando US$ 6,534 bilhões em divisas (-13,3%).

 

De acordo com o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o encolhimento das vendas externas já estava no radar do setor, diante da menor disponibilidade de grãos. Ele ressaltou que os estoques nacionais foram bastante dilapidados após os embarques sem precedentes de 2024, e que a colheita de 2025 ainda sofreu com intempéries climáticas, comprimindo a oferta. A esses fatores, somaram-se os recorrentes entraves logísticos nos portos brasileiros – com pátios congestionados, cronogramas de navios desorganizados e custos extras com armazenagem – que, segundo o executivo, inviabilizaram o despacho de centenas de milhares de sacas.

 

Outro ponto de pressão foi a sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre os cafés brasileiros, vigente de agosto a novembro de 2025. No período, as remessas ao mercado norte-americano despencaram 54,9%, saindo de 2,917 milhões para 1,315 milhão de sacas. Ferreira observou que, mesmo após a suspensão do gravame para a maioria das categorias (à exceção do solúvel, que continua taxado), os negócios com os EUA não reagiram plenamente, em meio à nebulosidade sobre a política comercial americana e às investigações em curso no USTR.

 

O dirigente também destacou que os produtores, ainda capitalizados pelos bons preços obtidos nos últimos anos, adotaram uma postura mais cautelosa e, durante a entressafra com oferta restrita, preferiram segurar o café remanescente à espera de oportunidades mais vantajosas, o que freou o ritmo dos embarques.

 

O preço médio de exportação atingiu US$ 379,48 por saca – o maior já registrado, com alta de 17,4% sobre a safra anterior. Ferreira ressaltou que esse patamar permitiria uma receita inédita se as restrições portuárias não tivessem travado parte significativa do escoamento. Atrasos na colheita da nova safra e temores climáticos também inibiram as vendas antecipadas em junho, e o mercado agora acompanha de perto a evolução da colheita do arábica para projetar o desempenho do ciclo 2026/27.

 

O efeito do tarifaço alterou profundamente o mapa de destinos. Pela primeira vez desde 2009/10, os Estados Unidos perderam a condição de maior comprador do café brasileiro. A Alemanha assumiu a liderança, com importações de 5,188 milhões de sacas (13,5% do total), embora com recuo de 20,6% ante a safra anterior. Os EUA caíram para a segunda colocação, com 4,243 milhões de sacas – uma queda brusca de 43,2%. Na sequência, aparecem Itália (3,267 milhões, -8,1%), Bélgica (2,330 milhões, -24,7%) e Japão (2,300 milhões, +0,2%).

 

Por tipo, o arábica seguiu como carro-chefe, com 29,499 milhões de sacas embarcadas (76,7% do total, menos 15,3% na comparação anual). O canéfora (conilon e robusta) somou 5,031 milhões de sacas (13,1%, -23,5%), enquanto o solúvel respondeu por 3,874 milhões (10,1%) e o torrado e moído, por 56.860 sacas. Os cafés diferenciados (especiais, certificados e de alta qualidade) atingiram 7,388 milhões de sacas (-17,1%), gerando US$ 3,160 bilhões em receita (21,7% do faturamento total), com preço médio de US$ 427,70 por saca.

 

No escoamento portuário, Santos concentrou 75% dos embarques (28,859 milhões de sacas), seguido pelo complexo do Rio de Janeiro, com 8,249 milhões (21,4%), e por Paranaguá, com 377.914 sacas (1% do total).

FONTE: Kadoshwr com informações da Comunhão e da Estadão Conteúdo – Economia, Tânia Rabello

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