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Irã lança primeiro ataque com mísseis contra Israel desde trégua frágil de abril; mediação para fim da guerra se complica

Publicada em: 08/06/2026 06:24 -

Irã lança dezenas de mísseis contra Israel - Foto: Divulgação

 

Ação ocorre após bombardeio israelense nos arredores de Beirute; Hezbollah rejeita cessar-fogo e Paquistão tenta retomar diálogo entre Teerã e Washington.

 

Neste domingo (7), Israel acusou o Irã de ter disparado mísseis contra seu território — o primeiro ataque direto desse tipo desde que um delicado cessar-fogo entrou em vigor no início de abril. O episódio dificulta ainda mais as tentativas de mediação para um acordo que encerre a guerra.

 

A emissora oficial do Irã confirmou o lançamento dos projéteis, enquanto explosões foram ouvidas no norte de Israel. As Forças Armadas israelenses informaram que atuam para interceptar os mísseis, mas admitiram que a “defesa não é infalível”, com sirenes soando em diversas regiões. Teerã já havia prometido retaliar após Israel atacar, no mesmo domingo, os subúrbios sul de Beirute sem aviso prévio, desrespeitando o pedido de Washington para que se abstivesse de agir.

 

Israel classificou a investida contra a capital libanesa como resposta a disparos do Hezbollah — grupo apoiado pelo Irã — contra o norte israelense mais cedo no dia. O ataque a um edifício residencial matou duas pessoas e feriu outras 20, segundo o Ministério da Saúde do Líbano.

 

A ofensiva israelense em Beirute ocorreu poucos dias após os governos libanês e israelense terem aceitado um cessar-fogo mediado pelos EUA, ainda que o Hezbollah tenha rejeitado o acordo. O Irã havia advertido que um ataque a Beirute reacenderia uma guerra em larga escala no Oriente Médio, justamente quando o Paquistão tenta retomar as negociações entre Teerã e Washington. O Irã condiciona qualquer pacto ao fim dos combates no Líbano. A Casa Branca não se manifestou sobre o bombardeio israelense.

 

Na segunda-feira anterior, Israel anunciara que atacaria os subúrbios ao sul de Beirute, mas negociações de emergência via EUA suspenderam a ação sob a condição de que o Hezbollah interrompesse seus ataques a cidades fronteiriças israelenses. O Hezbollah não reivindicou imediatamente a autoria dos disparos de domingo contra Israel. O grupo prefere que as negociações diretas entre Líbano e Israel sejam encerradas e apoia a posição iraniana de que um eventual acordo geral de cessar-fogo entre Teerã e Washington inclua a situação libanesa.

 

Os esforços de mediação para um pacto mais amplo continuaram neste domingo: o ministro do Interior do Paquistão visitou o Irã para conversar com autoridades, e o Egito informou que seus chanceleres discutiram com o Catar “elementos propostos” de um possível acordo, sem dar detalhes.

 

O presidente dos EUA, Donald Trump, não comentou a guerra no domingo, mas, em entrevista à NBC gravada na sexta-feira, declarou que gostaria de ver um “ataque mais cirúrgico contra o Hezbollah”. Disse também que “não estava exigindo” a inclusão do Líbano em um cessar-fogo geral na guerra com o Irã.

 

Enquanto isso, o Irã segue afirmando seu controle sobre o Estreito de Ormuz, e os EUA mantêm o bloqueio a portos iranianos, afetando embarques de petróleo, gás natural e fertilizantes e prejudicando a economia global. O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que enfrenta eleições ainda neste ano, quer prosseguir com a ofensiva até considerar que o Hezbollah não representa mais ameaça.

 

Ministro paquistanês visita Teerã

 

O ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, esteve em Teerã neste domingo e entregou uma mensagem ao líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, em nome do chefe do Exército do Paquistão, marechal de campo Asim Munir, segundo a agência IRNA. Não houve divulgação do conteúdo. Khamenei não aparece em público desde que assumiu o governo da República Islâmica, após a morte de seu pai em 28 de fevereiro, primeiro dia da guerra.

 

Naqvi já havia se reunido no sábado com o ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, e neste domingo com o chanceler Abbas Araghchi, conforme a mídia oficial do Irã. Autoridades paquistanesas afirmam que Islamabad, com o apoio de países como Catar, Turquia e Egito, trabalha para ajudar a superar divergências entre Estados Unidos e Irã.

FONTE: Kadoshwr com informações da Comunhão e Estadão Conteúdo – Internacional, Redação/Associated Press

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