Censo revela que evangélicos são maioria da população em 244 cidades brasileiras

Publicada em: 31/03/2026 17:57 -

No cenário nacional, o crescimento também se reflete nos números gerais: são 47,4 milhões de evangélicos, o equivalente a 26,9% da população brasileira. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

 

Levantamento do IBGE aponta crescimento consistente do segmento, que já representa 26,9% dos brasileiros; avanço é mais expressivo na região Norte.

 

Com base nos dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os evangélicos passaram a ser o principal grupo religioso em 244 municípios do país. Desses, 58 cidades registram mais da metade dos habitantes seguindo essa vertente cristã, o que demonstra uma expansão contínua e com presença marcante em diferentes regiões do território nacional.

 

Em termos nacionais, o segmento soma 47,4 milhões de pessoas, o que corresponde a 26,9% da população brasileira. Os números confirmam uma trajetória de alta observada nas últimas décadas e posicionam os evangélicos como a denominação religiosa que mais se expande no Brasil.

 

Entre as cidades com as maiores proporções de evangélicos, destacam-se Santa Maria de Jetibá (ES), onde 73% dos moradores se identificam com essa fé; Alto Caparaó (MG), com 63%; e Arroio do Padre (RS), que lidera nacionalmente com aproximadamente 88% da população vinculada a igrejas evangélicas.

 

A evolução histórica evidencia esse avanço: em 1980, os evangélicos eram cerca de 6% dos brasileiros; em 2010, o percentual subiu para 21,7%; e em 2022 chegou a 26,9%, mantendo uma curva ascendente, ainda que com desaceleração nos últimos anos. Enquanto isso, o percentual de católicos segue em redução, embora continue majoritário no país.

 

O crescimento evangélico não se distribui de maneira homogênea pelo território. A Região Norte registra a maior concentração, com 36,8% da população declarando-se evangélica. Em seguida vêm Centro-Oeste (31,4%) e Sudeste (28%). Sul (23,7%) e Nordeste (22,5%) apresentam índices menores, mas também em expansão.

 

Perfil dos fiéis

 

O Censo também traça um panorama dos evangélicos no país. As mulheres são maioria, representando 55,4% do total. Pessoas pardas correspondem a 49%, evidenciando uma forte presença desse grupo étnico. Outro dado significativo é o avanço entre as populações indígenas, nas quais os evangélicos já alcançam 32,2%.

 

O fenômeno está fortemente presente em cidades de pequeno e médio porte, indicando um movimento de interiorização. Estados como Espírito Santo e Santa Catarina reúnem diversos municípios com elevados índices de população evangélica.

 

Apesar do avanço, o Brasil ainda possui maioria católica em cerca de 4,8 mil cidades, o que mostra que a mudança no cenário religioso ocorre de modo gradual, porém contínuo.

 

Especialista aponta consolidação do fenômeno

 

O pastor Rodolfo Capler, pesquisador da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e líder da Igreja Batista Alternativa em Piracicaba (SP), avalia que a expansão evangélica no Brasil já deixou de ser uma novidade e se consolidou como um fenômeno estrutural.

 

“Vejo o crescimento evangélico no Brasil como um fato consolidado. O IBGE apenas quantifica algo que já é visível na cultura e na sociedade. Mas o ponto central não é o crescimento em si, e sim o que ele está produzindo. Crescer não é necessariamente amadurecer”, afirma. Segundo ele, o aumento numérico do grupo amplia sua capacidade de influência em diversas esferas. “Esse crescimento amplia o poder de influência, especialmente na política e no campo social. Isso pode gerar impactos positivos, como maior senso de responsabilidade e atuação social relevante, mas também pode levar à instrumentalização da fé, ao uso religioso como identidade de grupo e à polarização”, diz.

 

Capler também chama atenção para aspectos ainda pouco debatidos, como a relação entre religião e meio ambiente. “No campo ambiental, ainda há pouca reflexão, mas é decisivo entender se a visão predominante será de cuidado com a criação ou de exploração sem responsabilidade”, pontua.

 

Na visão do pesquisador, o crescimento numérico não deve ser confundido com amadurecimento espiritual. “Crescimento em números não significa crescimento em Espírito porque quantidade não garante profundidade. É possível haver expansão estatística e, ao mesmo tempo, superficialidade espiritual”, ressalta.

 

Ele alerta que, quando a fé é reduzida a um marcador de identidade ou a um instrumento de poder, perde-se sua essência. “Quando a fé se torna apenas identidade cultural ou ferramenta de poder, ela perde sua essência”, declara.

 

Para Capler, o verdadeiro desafio vai além das estatísticas e envolve transformação pessoal e coletiva. “O verdadeiro crescimento espiritual exige transformação de vida, não apenas aumento de público”, conclui.

FONTE: Kadoshwr com informações da comunhão 

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