...

...

"Foi um milagre: minha fé me salvou", desabafa mulher que passou três horas agarrada a um poste durante enchente histórica em Ubá

Publicada em: 26/02/2026 22:42 -

Edna Almeida Silva, de 56 anos, ficou três horas agarrada a um poste, no Centro de Ubá, durante a maior inundação registrada na cidade nos últimos anos. Foto: Reprodução redes sociais

 

A frase de Edna Almeida Silva, de 56 anos, traduz o desespero e a esperança que marcaram as longas horas em que ela lutou contra a correnteza no Centro de Ubá, durante a pior enchente que a cidade já viu nas últimas décadas.

Residente na Rua Camilo dos Santos, onde morava e tocava um restaurante, Edna viu sua vida ser levada pelas águas na noite de segunda-feira (23). O que começou como uma chuva moderada se transformou em um pesadelo quando o rio que passa nos fundos de sua casa transbordou. Em instantes, a via pública se tornou um rio caudaloso. Em conversa com o G1, ela relembrou que acordou o companheiro, Luciano Franklin Fernandes, de 50 anos, e o filho de 31, na tentativa de salvar os veículos. Foi em vão. Ao ser surpreendida pela água invadindo a casa, Edna foi arrastada. Sem saber nadar e já submersa, fez uma prece rápida e intensa, suplicando para não ter um fim afogada. "Nem deu tempo de pensar. A água só subia. Então veio um estrondo, e a água pareceu formar um redemoinho que me arrastou. Fiquei debaixo d'água. Não sei nadar, não sei me virar. Só lembro de pedir: 'Deus, não deixa eu morrer afogada'", relatou.

 

Foi quando suas mãos encontraram um poste. Agarrou-se a ele como se fosse sua tábua de salvação, sua última ligação com a vida. Escalou usando os detritos que boiavam, mantendo a cabeça fora da água enquanto alternava gritos de socorro com palavras de fé.

 

O amparo veio de uma sacada vizinha. Um morador a encorajou, garantindo que ela não seria levada. Em seguida, lançaram uma corda. Exausta, mas sustentada pelos vizinhos que pediam calma, Edna resistiu até sentir o chão sob os pés. Eram 5h20 da manhã quando foi içada para uma janela, recebida com aplausos por quem testemunhou a angustiante espera até o amanhecer.

 

Estar viva, no entanto, não foi o fim do sofrimento. Três dias depois da tragédia, ela tenta processar a perda da casa e do restaurante, enquanto aguarda notícias de Luciano, que está entre os dois desaparecidos na cidade. O casamento dos dois estava marcado para o próximo mês. Com a voz embargada, Edna clama por um novo milagre.

 

"Ainda tenho fé que ele (o namorado) esteja num hospital ou em outra cidade, não sei. Mas, pelo que vi da enchente, só mesmo um milagre", lamentou, completando em seguida:

 

"Sentei na única cadeira que restou, olhei tudo e agradeci. 'Senhor, obrigada por eu e o Bruninho estarmos vivos. Perdi tudo: roupas, documentos, telefone. Só me restou a vida para começar de novo'", finalizou, em gratidão.

 

A tempestade histórica que atingiu Ubá entre os dias 23 e 24 de fevereiro de 2026 causou mortes, deixou desaparecidos e levou centenas de pessoas a perderem suas casas ou a deixá-las. Em apenas três horas e meia, o volume de chuva chegou a 174 milímetros. O Rio Ubá transbordou alcançando 7,82 metros no centro, resultando na maior inundação dos últimos tempos, com pontes interditadas, prédios danificados e diversas residências destruídas.

 

Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e as polícias Militar e Civil atenderam a pelo menos 18 chamados para resgate e salvamento. Em todo o estado de Minas Gerais, as fortes chuvas têm provocado estragos em série, acendendo um alerta para a crescente frequência de eventos climáticos severos.

FONTE: Kadoshwr com informações de comunhão 

Compartilhe:
PUBLICIDADE