Casa incendiada em ataque na Nigéria. (Foto representativa: Portas Abertas)
Documento elaborado por comitês da Câmara dos Representantes aponta escalada de ataques, assassinatos e êxodo forçado de comunidades cristãs, cobrando medidas diplomáticas mais firmes de Washington.
Um documento elaborado por dois influentes comitês da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos e encaminhado à Casa Branca acendeu um novo sinal de alerta internacional sobre a violência dirigida a cristãos na Nigéria.
O relatório classifica a nação africana como um dos locais de maior risco para os seguidores do cristianismo, citando a escalada de agressões brutais contra fiéis, líderes religiosos e comunidades inteiras.
Produzido em parceria pelo Comitê de Apropriações e pelo Comitê de Assuntos Externos da Câmara, o material foi submetido ao governo americano com o intuito de destacar a grave crise humanitária e religiosa que aflige um grande número de cristãos nigerianos.
De acordo com os congressistas, o compilado reúne estatísticas, avaliações e depoimentos que evidenciam uma triste realidade de homicídios, arrasamento de povoados e êxodo forçado de lares cristãos. Os ataques são comumente ligados a grupos extremistas e milícias que operam em diferentes partes do território nigeriano.
Cobrança por medidas efetivas
O congressista Riley Moore, um dos apoiadores da iniciativa, declarou que a intenção do relatório é compelir o governo dos EUA a uma postura mais enérgica frente à crise. Na visão dele, admitir a seriedade da perseguição é um passo fundamental para mobilizar iniciativas diplomáticas e políticas que visem resguardar a liberdade de crença.
Por sua vez, Brian Mast, presidente do Comitê de Assuntos Externos da Câmara, enfatizou que os Estados Unidos não podem se omitir diante do sofrimento dos cristãos naquele país africano.
O presidente do Comitê de Orçamento da Câmara, Tom Cole, afirmou:
"Nosso relato conjunto dedica-se à proteção de vidas, à manutenção da liberdade religiosa e ao combate ao terrorismo. Sustentamos uma dupla necessidade essencial, onde quer que estejamos: promovemos os valores dos EUA enquanto fortalecemos a segurança. Salvaguardamos a fé ao desmantelar o terror."
"E compreendemos que um cenário onde os crentes estejam protegidos não se alcança apenas com esperança – ele é assegurado por uma supervisão constante que intimida o mal, repele a violência e se mantém atenta para que a prece nunca fique indefesa."
Agravamento da violência
Outro congressista envolvido na elaboração do documento, Chris Smith, observou que, por cerca de 20 anos, as autoridades nigerianas falharam em conter o avanço da violência praticada por facções radicais. Ele argumenta que a impunidade dos agressores foi um fator determinante para a continuidade e o agravamento dos ataques.
A Nigéria, nação com a maior população do continente africano, enfrenta há tempos tensões religiosas e conflitos armados em diversas localidades.
"Por praticamente duas décadas, o governo da Nigéria tem sido conivente e inerte diante da violenta perseguição religiosa em seu território. Ao negligenciar a punição e a responsabilização dos extremistas islâmicos que sistematicamente violentam, torturam e matam cristãos e muçulmanos não radicalizados, o governo nigeriano só fez incentivar esses criminosos terroristas a causar ainda mais danos", declarou o congressista.
Organismos internacionais e grupos cristãos têm denunciado repetidamente os homicídios, raptos e incursões contra igrejas e comunidades rurais.
O 'local mais perigoso para cristãos'
Após a publicação do relatório que rotulou a Nigéria como "o lugar mais perigoso do mundo para se ser cristão", o governo local afirmou seu compromisso em garantir a segurança de todos os cidadãos, sem distinção de fé ou região.
Em nota divulgada na terça‑feira pelo jornal nigeriano Punch, o ministro da Informação e Orientação Nacional, Mohammed Idris, assegurou que o país jamais adotou uma política estatal de perseguição religiosa.
"A violência enfrentada por nossas forças de segurança não decorre de diretrizes governamentais ou intolerância religiosa, mas de complexos desafios de segurança, como terrorismo, criminalidade organizada e antigas disputas comunitárias", justificou.
Essa perspectiva, contudo, difere da visão de Donald Trump, que já havia afirmado que o cristianismo sofre uma "ameaça de extinção" na Nigéria. O relatório fundamenta-se em declarações feitas pelo ex-presidente americano no ano anterior. Em 2025, Trump classificou a Nigéria como um "País de Particular Preocupação" devido às frequentes violações da liberdade religiosa.
Um chamado global
Os responsáveis pelo relatório acreditam que a situação demanda uma resposta urgente da comunidade internacional. A expectativa é que a entrega do documento à Casa Branca contribua para intensificar o debate mundial sobre a perseguição religiosa e fomente ações concretas para a proteção dos cristãos na Nigéria.
Nos últimos tempos, lideranças religiosas e entidades humanitárias têm alertado que milhares de cristãos foram mortos ou forçados a deixar seus lares, num quadro descrito por muitos como uma das mais severas crises de liberdade religiosa da atualidade.
FONTE: kadoshwr com informaçoes do guiame e COMITÊ DE APROPRIAÇÕES DA CÂMARA DOS REPRESENTANTES DOS EUA


