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Escola de samba provoca revolta ao ridicularizar fé evangélica durante desfile no Rio

Publicada em: 17/02/2026 15:41 -

A representação da chamada “família tradicional” dentro das latas causou indignação em amplos setores religiosos, que consideraram a encenação uma forma de ridicularização pública da fé cristã. Foto: Reprodução de TV


Agremiação Acadêmicos de Niterói incluiu em seu enredo uma ala com evangélicos e conservadores dentro de latas, o que gerou forte reação de lideranças políticas e religiosas, que prometem acionar a Justiça por intolerância


A apresentação da Acadêmicos de Niterói no domingo (15), durante o desfile das escolas de samba do Grupo Especial no Rio de Janeiro, gerou forte polêmica em âmbito nacional. A agremiação, que prestou uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, trouxe no enredo um setor que fazia sátira a segmentos conservadores da sociedade, com destaque para a comunidade evangélica. Líderes religiosos enxergaram na encenação uma atitude ofensiva, preconceituosa e desrespeitosa em relação ao cristianismo, provocando críticas públicas e a promessa de ações na Justiça.

 

A polêmica gerada pela ala

 

A ala denominada “Neoconservadores em conserva” representava, dentro de grandes recipientes metálicos, perfis associados ao pensamento conservador — como simpatizantes do regime militar, integrantes do setor agropecuário, senhoras da alta sociedade e fiéis evangélicos — numa clara alusão aos setores contrários ao governo federal. A forma como a chamada “família tradicional” foi exposta gerou revolta em diversas lideranças religiosas, que enxergaram ali uma tentativa de zombaria contra a fé cristã.

 

Manifestações de agentes políticos

 

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, adiantou que pretende recorrer ao Judiciário, classificando o ocorrido como um caso de intolerância religiosa. Segundo ele, o dissenso político é saudável, mas ridicularizar a fé ultrapassa o que é aceitável mesmo em manifestações artísticas. Já a senadora Damares Alves afirmou que acionará a Justiça contra os organizadores, argumentando que recursos estatais não podem ser usados para debochar de crentes, o que, em sua visão, fere a Constituição. “Ninguém tem o direito de zombar da fé alheia, em hipótese alguma”, declarou.

 

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) traçou um paralelo entre o desfile e o encontro com diplomatas que culminou na declaração de inelegibilidade de Jair Bolsonaro no TSE. “Se isso tivesse acontecido em 2022, Bolsonaro estaria preso, haveria operação no PL, apreensão de materiais na escola de samba e nos carros, além de inelegibilidade eterna”, escreveu em sua página no X.

 

Repercussão no meio religioso

 

Pastor e deputado federal, Cleiton Collins manifestou-se em vídeo, afirmando que a agremiação “desrespeitou as famílias, os conservadores e os evangélicos”. Em sua fala, disse que a apresentação “afrontou a Bíblia” e foi além do tolerável no que diz respeito à consideração pelas crenças religiosas.

 

O religioso reforçou que não se trata de uma simples crítica política, mas de um ataque deliberado aos fundamentos cristãos: “Não vamos nos calar diante dessa humilhação pública à nossa fé”. Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama com forte trânsito entre evangélicos, também comentou, definindo o desfile como “um deboche que ridiculariza e ofende os cristãos”. Ela conclamou a Frente Parlamentar Evangélica a emitir um posicionamento oficial.

 

O conflito entre expressão artística e respeito religioso

 

Constitucionalistas ouvidos sobre o caso destacam que a situação reaviva a discussão sobre até onde vai a liberdade de criação artística e onde começa a necessidade de resguardar a liberdade religiosa. O Carnaval, tradicionalmente, é um ambiente de crítica e sátira, mas especialistas ponderam que representações que coloquem grupos religiosos em situações vexatórias podem ser enquadradas como discriminação, passíveis de sanção judicial.

 

FONTE: Kadoshwr com informações do comunhão 

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