© PAOLA AYALA/EVE AIR MOBILITY
Setor aéreo é chamado a contribuir com regras para formação profissional
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) planeja criar uma nova modalidade de licença destinada a condutores dos veículos elétricos que decolam e pousam na vertical, conhecidos popularmente como “carros voadores” ou eVTOLs. Para isso, o órgão abriu uma consulta pública com o intuito de reunir sugestões da população sobre a formação desses profissionais.
A proposta é incluir a mudança no Regulamento Brasileiro da Aviação Civil nº 61, que trata das certificações de aviadores. A expectativa da Anac é receber propostas, especialmente, de pilotos, centros de instrução, indústria e empresas do setor.
Com a iniciativa, a Anac diz querer adaptar o sistema de habilitações aeronáuticas às novas tecnologias de mobilidade aérea. A ideia é instituir uma formação específica, começando com um regime de transição voltado a quem já pilota aviões ou helicópteros. Dessa forma, será possível reunir dados e vivência para, mais à frente, estruturar um treinamento completo para quem não tem experiência anterior.
A licença para conduzir eVTOLs será exclusiva e incluirá acompanhamento prático supervisionado, além de um teste final de competência. As contribuições podem ser enviadas até 16 de março, via plataforma Brasil Participativo.
A Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil (Abrapac) avalia, num primeiro instante, que a chegada dos carros voadores representa expansão do setor e novas oportunidades. Segundo o diretor Carlos Perin, os pilotos terão que passar por adaptações teóricas e práticas dentro das regras que a Anac definir.
Contudo, Perin projeta que essa demanda tende a desaparecer com o tempo. Ele prevê que os eVTOLs se tornarão não tripulados futuramente. A princípio, conforme o diretor, a presença de um piloto ajudará a vencer resistências. Depois, com a aceitação do público, o operador humano será substituído por controle remoto e o veículo levará apenas passageiros.
Embora ainda estejam em fase de testes, os eVTOLs são vistos como aposta para a aviação sustentável. Por utilizarem energia elétrica em vez de combustíveis poluentes, integram o conceito de economia de baixo carbono.
Em 2024, a Anac estabeleceu os requisitos técnicos definitivos para esse tipo de aeronave, incluindo normas sobre fuselagem, bateria e sistemas de voo. A brasileira Embraer, por meio de sua subsidiária Eve Air Mobility, está entre as empresas que lideram o desenvolvimento desses veículos. Sua unidade em Gavião Peixoto (SP) pesquisa modelos com potencial comercial.
No fim do ano passado, a Eve realizou o teste inaugural de um protótipo. No início de fevereiro, anunciou a venda de duas unidades para a companhia aérea japonesa AirX, com entregas marcadas para 2029. O acordo ainda prevê possibilidade de compra de até 50 aeronaves adicionais.
O projeto da Eve recebe incentivo governamental por meio de financiamentos do BNDES e da Finep, ambos vinculados a ministérios.
FONTE: Kadoshwr com informações da agência Brasil

